João Antonio Caparroz Vieira

Cirurgião cardiovascular e possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV

João Antonio Caparroz Vieira

Cirurgião cardiovascular e possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV

Tumores cardíacos: a raridade que exige atenção e diagnóstico preciso

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É mais “comum, ouvirmos falar sobre tumores em órgãos, como pulmão, mama ou intestino. Raramente fala-se do coração como alvo desse problema. Embora o coração seja um órgão robusto e central para a vida, ele também pode ser afetado por crescimentos anormais de células. Mas, afinal, o que são os tumores cardíacos e quão preocupantes eles podem ser?

Diferente de outros tipos de câncer, os tumores que nascem diretamente no coração (chamados de tumores primários), são extremamente raros. Estima-se que ocorram em menos de 0,1% da população. Na maioria dos casos, cerca de 75% a 90%, esses tumores são benignos, o que significa que não se espalham para outras partes do corpo. O mais comum entre eles é o mixoma, que geralmente se desenvolve nos átrios do coração.

Mas o que acontece quando um tumor surge no coração? Mesmo sendo benigno, um tumor nesse órgão não pode ser ignorado. Imagine o coração como uma bomba com válvulas e passagens precisas. O crescimento de uma massa, por menor que seja, pode atrapalhar o fluxo de sangue, obstruir válvulas ou até causar arritmias.

Além disso, pequenos fragmentos do tumor podem se soltar e viajar pela corrente sanguínea, o que pode causar complicações graves, como um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou embolias em outros órgãos. Por isso, a localização e o tamanho do tumor são, muitas vezes, mais importantes do que o fato de ele ser cancerígeno ou não.

E por que eles aparecem? A ciência ainda busca respostas definitivas para a causa da maioria dos tumores cardíacos primários. No caso de alguns mixomas, existe um componente genético hereditário (como o complexo de Carney), mas a maioria surge de forma esporádica, sem uma causa externa óbvia como o fumo ou a alimentação, que influenciam outros tipos de câncer.

Existem também os tumores secundários, que são mais comuns. Eles ocorrem quando um câncer em outro órgão, como pulmão, mama ou pele (melanoma), sofre metástase e atinge o coração.

Quais são os sintomas e como identificar? O grande desafio dos tumores cardíacos é que eles são “grandes imitadores”. Seus sintomas muitas vezes se parecem com os de outras doenças cardíacas mais comuns, como insuficiência cardíaca ou doença valvular. Os sinais de alerta incluem: falta de ar progressiva, cansaço excessivo aos pequenos esforços, palpitações ou batimentos irregulares, inchaço nas pernas, febre, perda de peso e dores articulares (em alguns casos de mixoma).

Muitas vezes, o tumor é descoberto por acaso durante exames de rotina ou investigação de outros problemas, através de um Ecocardiograma, que é o exame de eleição inicial pela sua praticidade e precisão.

E existe tratamento? A boa notícia é que, para a maioria dos tumores benignos, como o mixoma, o tratamento é definitivo e muito eficaz: a remoção cirúrgica.

Graças aos avanços da cirurgia cardiovascular moderna, a retirada desses tumores é feita com alta taxa de sucesso. Uma vez removido, o paciente geralmente recupera sua qualidade de vida plena e o risco de o tumor voltar é muito baixo. Nos casos de tumores malignos ou secundários, o tratamento é mais complexo, envolvendo uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radiografia, personalizada para cada paciente.

Embora não existam medidas específicas de estilo de vida para “prevenir” um tumor cardíaco primário (como acontece com o infarto), a mensagem principal é a vigilância. O diagnóstico precoce é o que muda o desfecho da história.

Entender o próprio corpo e não ignorar sintomas como falta de ar ou palpitações é o primeiro passo. Ter um médico de confiança e realizar check-ups periódicos permite que qualquer alteração seja detectada antes de causar danos maiores. Afinal, cuidar do coração é um exercício diário de atenção e cuidado com a vida.

É importante lembrar que este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Se você apresenta sintomas, procure um especialista.

  • João Antonio Caparroz Vieira (é cirurgião cardiovascular na Clínica Sergio Almeida de Oliveira em hospitais como Albert Einstein, Beneficência Portuguesa e Rede D’Or em São Paulo. Possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV)

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