João Antonio Caparroz Vieira

Cirurgião cardiovascular e possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV

João Antonio Caparroz Vieira

Cirurgião cardiovascular e possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV

As artérias coronárias: pequenas estruturas, grande impacto na vida

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Poucas pessoas param para pensar nisso no dia a dia, mas o coração, órgão responsável por bombear sangue para todo o corpo, também precisa ser irrigado. E essa função vital é desempenhada por pequenos vasos específicos chamados de artérias coronárias.

Essas artérias envolvem todo o coração como uma espécie de “coroa” (daí vem o nome) e são responsáveis por levar sangue rico em oxigênio e nutrientes para todo músculo cardíaco. Sem esses suprimentos contínuos, o coração não consegue manter seu funcionamento adequado.

Mas o que acontece quando as coronárias adoecem? Com o passar dos anos, é comum que ocorra o acúmulo e depósito de gordura, colesterol e outras substâncias na parede dessas artérias e devido a esse processo temos, por exemplo, a aterosclerose.

O acúmulo dessas substâncias forma placas que estreitam o interior dos vasos, dificultando a livre passagem do sangue. Em alguns casos, este bloqueio pode ser parcial; em outros, pode ser completo. Quando o fluxo de sangue diminui, o coração recebe menos oxigênio do que precisa. Esse fenômeno é chamado de isquemia e pode causar sintomas como dor no peito, conhecida como angina.

Nos casos mais graves, a interrupção total do fluxo pode levar ao infarto do miocárdio, uma das principais causas de morte no mundo.

Estima-se que as doenças cardiovasculares sejam responsáveis por cerca de 17,9 a 19,8 milhões de mortes por ano no mundo, o que corresponde a aproximadamente 32% de todos os óbitos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Em nosso país, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), essa doença também lidera as estatísticas, representando cerca de 30% das mortes, com algo entre 300 e 400 mil óbitos anuais. Dentro desse cenário, o infarto, diretamente relacionado às artérias coronárias, ocupa posição de destaque.

E por que isso acontece? A doença das coronárias não surge de repente. Ela costuma ser resultada da ação de uma combinação de fatores ao longo do tempo, como: colesterol elevado, pressão alta, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse e história familiar. Esses fatores contribuem para lesões na parede das artérias, facilitando o acúmulo de placas de gordura e a progressão da doença.

E quando surgem os sintomas? As doenças das artérias coronárias continuam sendo um dos maiores desafios da saúde pública, justamente por sua alta prevalência e pelo fato de muitas vezes evoluírem de forma silenciosa por muitos anos. Muitas pessoas só apresentam sintomas quando a obstrução já é significativa, geralmente acima de 60% a 70% do calibre da artéria. Os sinais mais comuns incluem: dor ou pressão no peito, dor de estômago (epigastralgia), falta de ar, cansaço aos esforços e náusea ou vômitos. E, em alguns casos, sintomas atípicos ou silenciosos, especialmente em mulheres, diabéticos e idosos.

E a grande pergunta talvez seja “é possível prevenir?”.  Sim, a boa notícia é que grande parte dos casos podem ser evitados ou controlados com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico. E entre as principais medidas estão: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do colesterol e da pressão arterial, não fumar, acompanhamento médico periódico, controle do diabetes e não ganhar peso. Bom para o coração, bom para o corpo todo!

Mais uma notícia animadora: há tratamento. É importante destacar que quando diagnosticada, a doença coronariana apesar de não ter cura, tem tratamento. Dependendo do grau de obstrução e dos sintomas, as opções vão desde o uso de medicamentos, que ajudam a controlar os fatores de risco e melhorar o fluxo sanguíneo, até procedimentos como a angioplastia com colocação de um stent, ou a cirurgia de Revascularização do Miocárdio, popularmente conhecida como “ponte de safena”.

A escolha do tratamento é individualizada e leva em conta diversos fatores, como a gravidade da doença, as condições clínicas do paciente (como fragilidade) e os resultados dos exames. Em muitos casos, a intervenção adequada não só alivia os sintomas, como também reduz significativamente o risco de eventos graves, como o infarto e devolve o paciente para sua vida normal.

Entender da nossa saúde e de como essas doenças funcionam é o primeiro (e ótimo passo). Porém, saber que existem caminhos eficazes de tratamento é igualmente essencial. Afinal, cuidar do coração envolve tanto prevenir quanto agir no momento certo. E tão importante quanto à informação, é ter um médico de confiança e acompanhar com ele todos os passos da sua saúde.

  • João Antonio Caparroz Vieira (é cirurgião cardiovascular na Clínica Sergio Almeida de Oliveira em hospitais como Albert Einstein, Beneficência Portuguesa e Rede D’Or em São Paulo. Possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, SBCCV)

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