Na semana que se iniciou neste domingo, 17 de maio de 2026, uma mensagem me sensibilizou profundamente, forçando-me a pensar em um lado da tecnologia que até então nem havia cogitado, mesmo trabalhando com educação, ciência e tecnologia há pelo menos 30 anos: qual o futuro da dignidade humana?
Para pensar sobre o futuro, penso ser necessário analisar o passado e, principalmente, o presente desse atributo, por tantas vezes ignorado, que se refere à essência do que é ser humano.
Sim, a dignidade é uma atribuição humana que transcende a dos demais animais, pois vai muito além do simples direito de existir; trata-se de existir com propósito, com missão e com valores inalienáveis ao sentido da vida.
Num passado não tão distante, as maiores ameaças à dignidade humana consistiam na exploração dos próprios seres humanos, resultante de processos de escravidão ou condições similares. Guerras, genocídios, miséria extrema, doenças e outras agressões sociais coletivas limitaram o acesso a condições básicas e dignas de subsistência. Isso perdura até os dias atuais, mas com alguns “atenuantes civilizatórios” na maioria das nações.
Mais recentemente, entre o final do século XX e o início do XXI, o avanço tecnológico, que hipoteticamente poderia elevar as condições de equidade civilizatória, proporcionando um melhor equilíbrio na existência humana, tem se mostrado falho, principalmente quando pensamos na distribuição de riquezas e de outros fatores de ordem social.
É nesse ponto que já podemos começar a inferir sobre o futuro da dignidade humana. O poder econômico das big techs, que por si só já representa um abismo social entre as pessoas, agora, com o advento da robótica e da Inteligência Artificial (IA), pode ameaçar a própria essência da existência humana, já que propõe a criação de novos seres, dotados de atributos muito semelhantes aos dos humanos, mas com um potencial de substituição cada vez mais real.
Essa passível indistinção entre o real e o virtual, entre o humano e o humanoide, entre o intelecto e a insipiência, entre uma vida com sentido e o sentimento de uma vida algorítmica, exerce um poder perturbador até nos mais céticos, quem dirá nos que fazem da vida humana a sua razão de viver.
A propósito da mensagem de domingo que me fez refletir e originou este texto, esqueci de mencionar que se tratou de uma declaração do Papa Leão XIV, lida durante a homilia da missa dominical. Ela exultava exatamente os cuidados que a humanidade deve ter para com o uso da IA observando a premência da ética como principal ferramenta para a preservação da dignidade humana.
Oro para que ele continue orando por nós!




