
O piloto indiano Smit Machchhar, esfaqueado durante o que o governo de Israel descreveu como uma tentativa de ataque terrorista, está sendo aclamado como um herói mundial depois que sua ação ajudou a impedir que um avião da FlyDubai fosse derrubado pelo copiloto que o atacou.
Ele pilotava o voo FZ1073 entre Dubai e Tel Aviv na quarta-feira (30) quando foi atacado. Segundo informações da agência EFE, as primeiras versões indicam que Machchhar conseguiu enviar um sinal de emergência e abrir a porta da cabine durante o conflito, enquanto o avião descia em queda livre por cerca de dois minutos, causando pânico entre os mais de 170 passageiros.
Com a porta da cabine aberta, os passageiros e outros membros da tripulação conseguiram entrar e conter o agressor, identificado como um cidadão de Omã.
“O comandante Smit Machchhar é um herói”, afirmou nesta quinta-feira (1º) o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em post no X.
“Diante de um perigo extremo e apesar de estar gravemente ferido, ele demonstrou uma coragem imensa e uma determinação inabalável para proteger a vida dos outros”, acrescentou.
Também no X, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Machchhar “salvou as vidas de 174 pessoas” e evitou “um desastre catastrófico em pleno voo”.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, também fez elogios ao piloto indiano. “Incrível; de certa forma, ele foi um herói ao abrir a porta. Ele conseguiu recuar e abrir a porta”, afirmou.
Segundo informações da emissora britânica BBC, Machchhar cresceu em Mumbai, onde seus pais ainda moram. Ele estava destinado a trabalhar no negócio têxtil da família antes de descobrir a paixão pela aviação aos 19 anos.
Em 2008, ele ingressou na Mainland Air, uma escola de aviação em Dunedin, na Nova Zelândia. Três anos depois, começou a trabalhar como piloto comercial na companhia aérea indiana de baixo custo SpiceJet, onde atuou por 11 anos antes de ir para a FlyDubai em 2022, acumulando assim mais de 9,7 mil horas de voo.
Em entrevista à BBC, Philip Kean, CEO da Mainland Air, disse que sempre se lembra de Machchhar como um homem que mantém a calma em situações de crise.
“Nós o treinamos para pousos forçados — não para esse tipo de situação, que é muito, muito rara”, disse Kean. “Faz muito tempo, mas ele demonstrava ser um profissional bom e honesto.”
A Embaixada da Índia na Arábia Saudita, país onde o avião fez seu pouso de emergência, informou na quarta-feira que Machchhar se encontrava “estável” e internado em um hospital na cidade de Tabuk.
As pessoas que contiveram o agressor do piloto também estão sendo homenageadas. Nesta quinta-feira (1º), o presidente de Israel, Isaac Herzog, propôs que cinco dos israelenses que ajudaram a salvar o voo da FlyDubai recebam a Medalha Presidencial do Heroísmo Cívico, segundo um comunicado emitido por seu gabinete.
“O presidente Herzog pretende […] recomendar a medalha para os cinco israelenses que agiram durante o incidente: Tali Manes, Yaniv Hayoun, Dr. Shota Musaieb, Zvika Manes e Asaf Rajuan”, apontou o texto.
“Em um momento no qual tantas pessoas estavam em perigo, vocês agiram sem hesitar, com coragem, determinação e uma extraordinária responsabilidade mútua”, afirmou Herzog, que também expressou gratidão a Machchhar. “Vocês se arriscaram para salvar outros e evitaram um desastre terrível.”