
O ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, detalhou na manhã desta quinta-feira (1º) o resultado de uma operação que prendeu várias pessoas, inclusive o procurador-geral do país, Róger Mariaca, acusadas de integrar uma rede que protegia o narcotráfico.
“Por que Mariaca foi detido em uma ação direta da Polícia Boliviana? Porque o crime cometido por essa narcoestrutura no Ministério Público foi contínuo e permanente. Tratava-se de uma organização criminosa que protegia, participava e enriquecia com o tráfico de substâncias controladas”, declarou Oviedo, segundo informações do jornal El Deber.
O ministro disse que entre a noite de ontem e a madrugada de hoje “foi desmantelada uma organização criminosa infiltrada no sistema de Justiça e na administração de uma instituição muito importante, como é o Ministério Público”.
“Sob a liderança de Róger Mariaca, ela se transformou em uma organização criminosa voltada a incentivar e proteger o narcoterrorismo no país”, acusou.
Ao todo, foram presas 14 pessoas, sendo quatro delas “autoridades de alto escalão da Procuradoria-Geral e das Promotorias de Santa Cruz e de La Paz”.
“Também detivemos quatro pessoas que, na madrugada de hoje, estavam retirando da casa de Róger Mariaca — utilizando uma ambulância — quantias vultosas de dinheiro provenientes de extorsões praticadas contra cidadãos que buscam justiça no Ministério Público”, acrescentou Oviedo.
Segundo informações da agência EFE, o governo do presidente Rodrigo Paz acusa o procurador-geral dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico ilícito de substâncias controladas.
As prisões ocorrem depois de o governo dos EUA ter informado na segunda-feira (28) que revogou os vistos de autoridades da Bolívia, Colômbia e Peru, às quais acusa de serem “corruptas” e de “subverter governos eleitos democraticamente”.
Mariaca foi incluído na lista publicada pelo Departamento de Estado americano.
Ele refutou as acusações contra ele e vinculou a decisão dos EUA às “implicações” que tiveram dentro e fora da Bolívia algumas investigações conduzidas pelo Ministério Público, incluindo os processos criminais contra o consultor político argentino Fernando Cerimedo, acusado, entre outros crimes, de suposta tentativa de homicídio contra sua ex-companheira.
Logo após Cerimedo ser preso, em agosto, o vice-presidente boliviano, Edmand Lara, afirmou que o consultor, além de ser assessor pessoal de Paz, dava ordens a ministros da gestão do presidente conservador, o que foi negado por este.