PT defende atenção a Trump após reeleição de Lula e pede que militância siga mobilizada

CATIA SEABRA E CAIO SPECHOTO
FOLHAPRESS

A cúpula do PT aprovou uma resolução política na qual defende atenção à postura do presidente americano, Donald Trump, sobre a reeleição de Lula (PT). O texto foi discutido e aprovado pela Executiva Nacional do partido em reunião nesta quinta-feira (29).

O presidente dos Estados Unidos é o principal líder do movimento de direita global do qual o candidato derrotado a presidente Flávio Bolsonaro (PL) faz parte. Flávio fugiu para os EUA após perder a eleição, de onde questiona as eleições brasileiras.

Trump criticou a eleição brasileira, mas disse que não se envolveria no assunto. Nesta quinta, o jornal americano The New York Times publicou reportagem na qual afirma que Flávio teve ajuda de Trump e do governo dos Estados Unidos para fugir.

“A posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do resultado eleitoral e de sua presença em território norte-americano também exige atenção”, diz a resolução do PT.

“O Brasil não aceitará que interesses estrangeiros interfiram em sua democracia, nem que disputas políticas sirvam de pretexto para desrespeitar a vontade soberana do povo brasileiro, em eleições amplamente fiscalizadas e reconhecidas por sua lisura.”

Como mostrou a Folha de S. Paulo, aliados do presidente brasileiro avaliam que Flávio Bolsonaro tenta sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita pelos dois como boa. Por esse raciocínio, o candidato derrotado buscaria induzir Lula a tomar uma atitude ou dar uma declaração que cause atrito com o chefe do governo americano.

Fontes do entorno do presidente brasileiro afirmam que ele não deve se indispor com Trump por causa de Flávio Bolsonaro. Além disso, a avaliação no grupo político é que a fuga do adversário beneficia Lula. Há, por exemplo, a expectativa de que o eleitorado de Flávio se disperse e que a oposição fique desorganizada ao menos temporariamente.

Mobilização após eleição

O documento contém um diagnóstico de que a vitória petista foi possibilitada por mobilizações nas ruas e nas redes -o texto em discussão cita nominalmente o deputado André Janones (Rede-MG), que organizou um canal de WhatsApp com mais de 10 milhões de participantes em defesa de Lula durante a campanha.

A resolução também reconhece que forças políticas de fora da esquerda participaram da vitória do agora presidente reeleito.

“É fundamental preservar a participação social, fortalecer a organização popular e manter abertos os caminhos de diálogo e mobilização que tornaram possível esta conquista [a vitória de Lula]. Vamos também fortalecer o diálogo do PT com as diferentes tradições religiosas, respeitando a liberdade de consciência e a laicidade do Estado”, diz o documento.

A resolução inclui uma orientação para que diretórios estaduais, sindicatos, movimentos sociais e outros atores organizem caravanas até Brasília para o dia da posse de Lula em seu quarto mandato. A cerimônia será em 5 de janeiro.

Mais informações: Jornal de Brasília

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