Menos filhos, mais idosos: Europa tenta frear queda de natalidade

A queda no número de nascimentos e o rápido envelhecimento da população estão levando governos europeus a ampliar incentivos financeiros, reduzir impostos e criar novos benefícios para famílias com filhos. Um novo alerta veio da Itália nesta semana. O país pode perder quase 4 milhões de habitantes até 2050 caso a atual tendência demográfica continue.

Segundo projeções divulgadas na segunda-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat), a população italiana deve cair dos atuais 58,9 milhões para cerca de 55 milhões em 2050. Até 2080, o número pode recuar para 45,8 milhões. O país registrou apenas 355 mil nascimentos em 2025, o menor total desde a unificação italiana, em 1861.

Ao mesmo tempo, a parcela de idosos continuará crescendo no país. Pessoas com 65 anos ou mais, que atualmente representam 24,7% da população italiana, devem chegar a 34,5% em 2050. Já a parcela de pessoas entre 15 e 64 anos deve cair de 63,4% para 55,3%, aumentando a pressão sobre o mercado de trabalho e os sistemas de aposentadoria e saúde.

O problema de natalidade e envelhecimento não se limita apenas à Itália. Dados divulgados neste ano pelo Eurostat, serviço de estatísticas da União Europeia (UE), mostram que apenas 3,55 milhões de crianças nasceram no bloco em 2024, uma queda de 3,3% em relação ao ano anterior. A média caiu para 1,34 filho por mulher, o menor nível registrado desde o início da série do bloco, em 2001, e muito abaixo dos cerca de 2,1 necessários para que uma população se mantenha estável sem depender da imigração. Dados mais recentes do Eurostat mostram que o bloco chegou a 452 milhões de habitantes no início de 2026, 706 mil a mais do que um ano antes. O crescimento, porém, continua dependendo da imigração.