Ideb cresce, mas avanço é puxado por alta aprovação em escolas

Divulgado na quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) cresceu em todas as etapas e bateu recorde em 2025. A alta, porém, não veio tanto da melhora nas provas: foi impulsionada principalmente pelo aumento da aprovação, que ficou acima de 94% em toda a rede pública.

Isso acontece porque o Ideb é um índice que junta duas coisas diferentes: o desempenho dos estudantes nas provas de português e matemática e a proporção de alunos aprovados. As duas são multiplicadas uma pela outra. Quando mais estudantes passam de ano, o índice sobe, mesmo que as notas avancem pouco ou não avancem.

No material de divulgação, o próprio Inep dá um exemplo disso. Duas escolas podem ter a mesma nota 6 nas provas, mas resultados diferentes no Ideb: a que aprova 90% dos alunos fica com 5,4 (0,9 x 6); a que aprova 80% termina com 4,8 (0,8 x 6). A diferença vem só da taxa de aprovação.

Um exemplo disso na prática: no ensino médio público, entre 2023 e 2025, o Ideb subiu de 4,1 para 4,3, puxado por uma aprovação que avançou 3,8 pontos percentuais em dois anos. Já no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), a avaliação nacional que mede o desempenho dos alunos em português e matemática, o ganho foi tímido: estudantes do 3º ano do ensino médio passaram de 269,1 para 272,3 pontos em português e de 263,9 para 268 em matemática. Na escala de 0 a 10 em que essas notas entram na conta do Ideb, isso equivale a uma alta de 4,45 para 4,56 – pouco mais de um ponto percentual, contra os 3,8 da aprovação.