Apesar de ainda estarmos em setembro de 2025, sem dúvidas este ano tem produzido fortes emoções em termos globais. A escalada exponencial do desenvolvimento e uso da IA (Inteligência Artificial), as várias guerras em andamento, a “esquecida” crise climática e, principalmente, as mudanças na geopolítica mundial, têm intensificado o fenômeno VUCA, um acrónimo de Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade (do inglês Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity).
Este termo foi cunhado pelo exército Norte-americano durante a década de 1990 para descrever o mundo no cenário pós-Guerra Fria, sendo posteriormente absorvido por empresas, organizações, governos e instituições para caracterizar cenários cada vez mais desafiadores, instáveis e complexos.
Não por coincidência, mas 80 anos após o término da II Guerra Mundial, o mundo nunca esteve tão VUCA como atualmente, principalmente no que se refere a geopolítica.
Nesta semana, um evento de grande repercussão na mídia mundial foi um encontro de 20 nações Asiáticas, dentre elas, Índia, Rússia, China, (anfitriã do evento), e a polêmica Corea do Norte. Esse encontro reascendeu a possibilidade de surgimento de uma “nova ordem mundial”.
Nesse cenário hipotético, a China, segunda potência econômica do planeta, se projeto como líder desse novo arranjo. Obviamente, essa ambição não agradou a todos, principalmente aos Estados Unidos e seus aliados, que lutam para manter a hegemonia global.
É importante notar que, na contramão do que se espera de nações aliadas, alguns desses países têm sido constantemente desafiados e em muitos casos, intimidados pela política norte-americana de taxação de produtos importados. Segundo alguns especialistas (inclusive do próprio governo estadunidense) essa atitude tem aspectos de ilegalidade, ou mesmo segundo o senso comum, de insensatez.
A despeito de demonstrações de força militar, a China tem buscado um caminho oposto, convidando diversos países para a mesa de negociações para ampliar parcerias comerciais, tecnológicas e estratégicas.
Contudo, como o próprio conceito VUCA descreve, muitos outros detalhes tornam essa análise altamente complexa. A eventual abolição do dólar como moeda global, questões políticas e até bélicas se somam às tentativas, até o momento frustradas, de manter o status quo do mundo pós-guerra.
Ainda estamos em setembro, mas outros detalhes dessa “colcha de retalhos” ainda serão costurados. Ao que parece, a tendência é que ela se pinte de vermelho.



