Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Estamos mesmo “emburrecendo”?

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Um estudo recentemente publicado nos principais meios de comunicação do mundo abriu um primeiro debate real sobre a influência do uso da Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento da inteligência natural humana.

O artigo foi publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), localizado em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, uma das principais universidades do mundo e uma das principais instituições de desenvolvimento de tecnologia responsável pelos avanços mais importantes nas áreas computacionais e de engenharia desde o século passado.

O estudo alerta para impactos negativos da Inteligência Artificial na aprendizagem humana apontando, ainda de forma preliminar, como o uso desmedido de IA pode causar déficits não somente no desenvolvimento criativo, mas também cognitivo das pessoas.

Na primeira fase os pesquisadores separaram uma amostra de 54 pessoas em três grupos solicitando que cada pessoa escrevesse uma redação. As pessoas do primeiro grupo poderiam usar o ChatGPT, um dos modelos de IA mais utilizados no mundo, o segundo grupo poderia utilizar ferramentas de pesquisa, como o Google para pesquisas simples (sem a assistência de IA), e o terceiro grupo poderia contar somente com seus cérebros, ou seja, sem nenhum tipo de consulta digital.

Os textos foram analisados por corretores humanos e de IA e ao final desta fase, os pesquisadores usaram eletroencefalogramas (EEGs) para monitorar a atividade cerebral, constando que o grupo que não estava utilizando recursos digitais desenvolvia atividades cerebrais mais significativas, em segundo os que apenas consultavam pesquisas simples, e por último os que utilizavam IA.

Na próxima etapa do estudo, 18 pessoas foram selecionadas e trocadas de grupos submetendo-se novamente ao desafio de escrever outro ensaio e o resultado se confirmou, isto é, as pessoas que utilizaram no primeiro momento a IA tiveram grande dificuldade de elaborar um novo texto sem a ajuda da IA, e a recíproca foi válida, ou seja, as pessoas que inicialmente não utilizaram recursos tecnológicos, conseguiram desempenho melhor e com atividade cerebral mais significativa que os demais.

Apesar do estudo, ainda de caráter preliminar, ser alvo de uma série de críticas, principalmente em relação aos aspectos metodológicos, é inegável que o impacto da IA no aprendizado de nós humanos deve ser considerado.

Questões que envolvem pesquisa, reflexão, pensamento crítico, análise conjectural, construções lógicas e aritméticas e cognição, certamente devem sofrer influência que as IA’s. Consequências como a “falta de apetite” pelo conhecimento, a apatia crítica, a “embriaguez” cognitiva, podem surgir com esses avanços tecnológicos afinal, todo remédio possui efeitos colaterais, correto?

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