Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Destruição mútua assegurada (DMA)

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Quem viveu entre os anos 1950 e 1990 deve lembrar do termo “Guerra Fria”, momento em que duas superpotências econômicas, ideológicas e, perigosamente, bélicas mediam forças nestes três segmentos, colocando o mundo em constante alerta principalmente no que se referia a possibilidade de um conflito nuclear o qual envolveria todo o planeta.

Naquela época uma guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) era iminente, não somente por um confronto direto, como na crise dos misseis cubanos em 1964, como indiretamente em guerras ideológicas suportadas por essas potências como a Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã, Guerra do Afeganistão, conflitos no Oriente Médio, entre outros. O pano de fundo era a guerra entre o Comunismo e o Capitalismo!

O mundo se dividia em basicamente dois blocos, o comunista, liderado pela URSS e o capitalista suportado pelos EUA, com fronteiras bem claras, com limites definidos e delimitados principalmente pela questão ideológica.

Ironicamente, o que impediu um confronto real entre essas superpotências foi justamente o fato de ambas possuírem armas nucleares em quantidade suficiente para uma destruição mútua, um princípio chamado de “destruição mútua assegurada” (DMA). Segundo essa teoria, a consciência de uma provável aniquilação tanto do agressor como do defensor, faz com que ambos não partam para o ataque.

Resumidamente, o final da Guerra fria somente foi possível graças aos esforços de dois estadistas fundamentais ao processo de desarmamento nuclear, presidentes Ronald Reagan (EUA) e Mikhail Gorbachev (URSS) convencidos pelo DMA de suas responsabilidades perante o mundo.

Anos se passaram, o muro de Berlin caiu juntamente com o comunismo soviético e outras potências econômicas, ideológicas e bélicas foram surgindo, trazendo consigo mais tensão nas relações mundiais.

Atualmente, nove países possuem armas nucleares, o que torna o jogo muito mais perigoso. O princípio DMA precisa agora ser considerado para nove diferentes realidades, cada qual com suas particularidades.

Os ainda signatários da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) EUA, Reino Unido, França que possuem uma certa hegemonia, pelo menos no ocidente, contrapondo-se aos demais; os inimigos históricos Paquistão e Índia em constante conflito pela região da Caxemira; Rússia com o maior arsenal conhecido, atualmente em guerra contra a Ucrânia, ex-república soviética; Coreia do Norte hostil a praticamente todo Leste da Ásia (e talvez ao mundo); China que aparentemente é aliada (ou pelo menos, simpatizante) à Coreia do Norte e a Rússia; e por fim Israel, aliado aos EUA que representa atualmente o principal pivô entre as guerras do Oriente Médio.

Ou seja, agora são nove “senhores da guerra” dos quais, percebe-se que dois, EUA e Israel, não têm demonstrado muita atenção (ou temor) ao DMA o que nos coloca novamente na tensão de um conflito nuclear.

Em um cenário onde a ONU (Organização das Nações Unidas) tem progressivamente perdido seu poder moderador, leis e tratados internacionais não são mais respeitados, em um planeta cada vez mais extremista e polarizado, a razão poderá prevalecer?

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