Quem acompanha os meus artigos, mesmo que esporadicamente, deve ter percebido que uma das temáticas preferidas que tenho abordado nos últimos anos, principalmente no ano passado, é a Inteligência Artificial (IA).
Sendo sincero, confesso que o tema me fascinou desde a primeira vez que tive contato com um sistema de IA generativa, o ChatGPT, mesmo conhecendo os meandros da IA nos anos 2000.
Naquela época, alguém que quisesse trabalhar com IA teria que ter sólidos conhecimentos de informática e matemática para lidar com algoritmos genéticos, redes neurais artificiais etc. Mas com a IA generativa, esse cenário mudou vertiginosamente, tornando possível a qualquer pessoa uma interação minimamente produtiva.
Entre o fascínio dos primeiros contatos e o uso mais “aprofundado” para um quase leigo em informática, o uso da IA tem se mostrado ascendente na minha vida profissional, e creio que na vida cotidiana da maioria das pessoas, tanto no quesito profissional, quanto em vários outros, incluindo o entretenimento.
Mas como tudo que gera fascinação, o medo do “novo” também tem seu espaço, e quando me refiro ao medo, grifado e em negrito, apresento uma sucessão de elocubrações, que aos poucos tem se transformado em fragmentos de teorias e que mais recentemente já alcançam o status de conjecturas. Peço desculpas pela linguagem relativamente matemática, mas numa tradução mais literal, o que antes eram receios têm se transformado em “medo real”.
Nesta semana uma notícia que tem circulado amplamente nas mídias mundiais teve, em minha humilde opinião, a capacidade de migrar o “medo real” para “pré pânico”.
Um agente de IA chamado OpenClaw (em suas primeiras versões chamada ClawBot) criado pela empresa Cloudflare, alcançou grande notoriedade por ser uma IA com alto grau de autonomia que permite criar assistentes pessoais realmente autônomos.
Esses agentes, através da permissão de seus “proprietários” humanos, acessam dispositivos como os computadores, celulares, etc e, uma vez tendo acesso aos dados dos usuários, podem tomar o controle total da agenda, compromissos, tarefas enfim, todos os dados do perfil do usuário, auxiliando-o em muitas tarefas profissionais, pessoais e até sociais das pessoas, tornando-se um super assistente pessoal do usuário.
À primeira vista parece bom correto? Mas lembre-se que o agente OpenClaw tem autonomia sobre seus dados, podendo inclusive alterá-los, hackea-los e sequestrá-los, até mesmo sem que você perceba. E mais, pode acessar contas bancárias, senhas, fazer transações e até “falar” com outros agentes de IA trocando informações (sim, as IA’s têm se comunicado entre si!).
As consequências dessa nova realidade devem ficar a cargo da avaliação do leitor, mas posso garantir que são graves.
Por um momento, pense nisso…



