Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Adeus, CLT? A Uberização do Trabalho e a Crise da Mão de Obra Jovem

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Um dos eventos previstos há décadas que infelizmente pode gerar um colapso (ou vários colapsos) na economia brasileira, ainda nesta década é o chamado “Apagão da mão-de-obra”, fenômeno no qual torna-se cada vez mais difícil para os setores empresariais obter trabalhadores formais, minimamente capacitados ou até mesmo sem nenhuma capacitação, para ocuparem os milhões de postos de trabalho disponíveis no país há anos.

Vários são os motivos que hipoteticamente têm criado este cenário, como a queda crescente da qualificação profissional principalmente dos jovens; a falta generalizada de incentivo às carreiras tradicionais (bacharéis, licenciados, tecnólogos, etc.); e as condições de trabalho pouco atrativas que, para os jovens das gerações mais novas (gerações Y, Z e Alfa), são totalmente desestimulantes.  Mas uma das causas mais intrigantes é a chamada “Uberização” do mercado de trabalho.

Este fenômeno pode ser entendido como a preferência cada vez mais crescente dos mais jovens aos trabalhos categorizados como “mais independentes”, daí o uso do termo  “Uberização” em alusão aos motoristas de aplicativos que em tese fazem o seu próprio horário de trabalho, trabalham por demanda, não têm horários fixos (sem a necessidade de “bater o cartão de ponto”), podem se programar quanto a férias ou mesmo afastamentos não justificáveis, entre outros fatores fortemente atrativos para aqueles que se identificam como aversos ao regime CLT (o modelo de carteira assinada determinado na década de 1940).

 E existem hoje muitas outras modalidades similares que vão desde os trabalhos que podem ser desempenhados em regime home office, até outras ocupações bem mais atrativas como as que ocorrem nos ambientes virtuais (influenciadores, blogueiros, humoristas, podcasters, criadores de conteúdos, etc.). É bom ressaltar que com a popularização dos algoritmos de Inteligência Artificial (IA) essas ocupações têm se tornado ainda mais atrativas pois praticamente toda a parte técnica dessas ocupações, é hoje realizada pela IA, sem contar a possibilidade de ser muito bem remunerado através da monetização de conteúdos, marketing digital, entre outros.

Os setores da economia que mais sofrem com esse fenômeno, por enquanto, são os que dependem de um funcionalismo estritamente presencial, com serviços manuais ou braçais, como a construção civil e alguns ofícios do agronegócio, alguns tipos de indústria e comércio, entre outros, mas é apenas questão de tempo que todos os demais sejam afetados.

Os jovens estão trocando o trabalho rotineiro, metódico e relativamente estável proposto pelo CLT, por um mais flexível que possibilite maior engajamento, que ofereça propósitos individuais, que realmente façam sentido.

Desafiador, sem dúvidas. Arriscado, talvez. Mas o que está em jogo é uma mudança de mentalidade. Como dizem alguns especialistas, são outros valores.

Feliz ou infelizmente, as empresas terão que se readaptar!

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