
A carne bovina brasileira pode permanecer fora do mercado da União Europeia por cerca de dois anos, segundo uma estimativa apresentada nesta segunda-feira (28) por Éric Thévenard, diretor de Auditorias e Análises de Saúde e Alimentos da Comissão Europeia, durante uma reunião da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, em Bruxelas. O prazo está relacionado às novas exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos: para voltar a exportar, segundo a UE, o Brasil precisa oferecer “garantias” de que os bovinos cumpriram as regras europeias durante toda a vida, do nascimento ao abate.
Ao explicar quanto tempo esse processo poderia levar, Thévenard afirmou que o ciclo entre o nascimento e o abate de um bovino é de aproximadamente dois anos.
“O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, então vocês podem calcular: nada antes de dois anos, em teoria”, afirmou o diretor. Em seguida, acrescentou que, nesse intervalo, a carne bovina vendida no mercado europeu não deveria vir do Brasil.
A restrição à carne bovina brasileira está em vigor desde o dia 3. Em junho, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos ao bloco por considerar insuficientes os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos e outros medicamentos em animais.
As regras proíbem países que exportam esses produtos para a UE de utilizar antimicrobianos para promover o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade. Também impedem o uso de determinados medicamentos reservados, no bloco europeu, ao tratamento de infecções em seres humanos. No início do mês, a própria Comissão Europeia já havia antecipado que a situação da carne bovina brasileira seria mais difícil de resolver do que a de outros produtos do país.
Frango e mel estão em situação diferente
A restrição também tinha atingindo a carne de frango e o mel do brasil, mas o cenário para esses dois produtos mudou. A Comissão realizou entre agosto e este mês uma auditoria específica no Brasil para avaliar os controles relacionados ao uso de antimicrobianos nessas duas cadeias. Nesta segunda, o relatório da auditoria realizada no Brasil considerou satisfatórios os controles adotados pelo país para cumprir as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos e outros medicamentos no setor.
O resultado abre caminho para a retomada das exportações desses produtos, que também estão suspensas desde o dia 3. A liberação, porém, ainda depende da reinclusão do Brasil na lista de fornecedores autorizados pela UE. A proposta deverá ser analisada pelos representantes dos Estados-membros em uma reunião prevista para 20 e 21 de outubro.
No caso dos bovinos, a exigência de comprovação durante toda a vida do animal vai prolongar o processo. O Brasil poderá voltar à lista europeia quando apresentar as informações necessárias e a Comissão concluir que as exigências foram cumpridas. As regras da UE permitem que países atualmente excluídos sejam acrescentados posteriormente à relação de exportadores autorizados.