
Devido aos terremotos que atingiram o país nesta semana, a Venezuela anunciou que ativará um fundo inicial de US$ 200 milhões em recursos depositados no Fundo Monetário Internacional (FMI) para ações de resposta à emergência.
O órgão financeiro ainda buscará outras formas de apoiar a recuperação do país sul-americano, que também receberá outras ajudas, como US$ 150 milhões em assistência dos Estados Unidos anunciados ontem.
Porém, o custo da reconstrução da Venezuela, cuja situação econômica e financeira já era caótica devido ao chavismo (que governa o país desde 1999), deve ser bem maior do que os valores das ajudas anunciadas até agora.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), órgão do governo Donald Trump, estimou que as perdas econômicas na Venezuela devidos aos terremotos ficarão entre US$ 10 bilhões e US$ 100 bilhões.
Esse custo se soma ao desastre econômico e financeiro dos regimes chavistas. Segundo dados do Banco Mundial, em 2010, a Venezuela tinha um PIB de US$ 393 bilhões. Em 2024, a economia venezuelana havia retraído para pouco menos de US$ 120 bilhões.
Uma reportagem publicada nesta semana pelo Financial Times apontou que a Venezuela tem uma dívida de US$ 240 bilhões, muito maior do que vinha sendo estimado por analistas de mercado.
O jornal britânico disse que a ditadora interina Delcy Rodríguez pretende chegar a um acordo com os credores até o final do ano, o que abriria caminho para o retorno do país aos mercados internacionais.
Um alívio para a Venezuela tem sido a decisão dos Estados Unidos de levantar sanções ao país desde a captura do então ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana em Caracas, em janeiro.
Empresas estrangeiras do setor de petróleo voltaram a operar na Venezuela e no início desta semana o banco central do país informou que as receitas venezuelanas com a exportação da commodity somaram US$ 5,49 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 21,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Entretanto, após anos de isolamento do mercado internacional, a recuperação do país deve ser demorada e custosa – com as complicações extras causadas pelos terremotos.