Uma doação de órgãos começa com uma decisão que pode mudar a vida de muitas pessoas. No Hospital de Base (HB), em São José do Rio Preto, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) coordena o processo de doação e atua em conjunto com 24 hospitais da região, desde a identificação de potenciais doadores até a articulação com a Central de Transplantes.
Com 20 anos de atuação, a OPO do HB apresenta índices de doação superiores às médias estadual e nacional. Em 2025, registrou 75,5% de aceitação familiar, aumento de 10% no número de doadores efetivos em relação a 2024 e contribuiu para a realização de 206 transplantes.
Outro fator importante é o investimento da OPO na capacitação das equipes. Mais de 700 profissionais de saúde de 140 municípios já foram treinados para reconhecer potenciais doadores, seguir os protocolos de morte encefálica e realizar a abordagem das famílias de maneira adequada e acolhedora.
“A OPO tem um papel fundamental porque faz a conexão entre o potencial doador, a família, o hospital e todo o sistema de transplantes. É um trabalho que exige conhecimento técnico, agilidade, mas também muito acolhimento e respeito às famílias”, explica o nefrologista Dr. João Fernando Picollo, coordenador da OPO do Hospital de Base.
Da captação ao transplante
O trabalho da OPO está diretamente ligado aos serviços de transplantes do Complexo Funfarme. O Hospital de Base realiza transplantes de rim, fígado, medula óssea e córnea e já ultrapassou 7,6 mil transplantes desde 1992.
Tecnologia a favor da doação
Outro diferencial do HB é o Centro de Manutenção de Órgãos, o primeiro do Brasil, que conta com a máquina de perfusão hepática Liver Assist. A tecnologia permite manter o fígado em funcionamento fora do corpo e avaliar sua viabilidade antes do transplante, ampliando as possibilidades de utilização do órgão.
Desde sua implantação, a máquina já foi utilizada em 12 transplantes de fígado, incluindo o primeiro transplante hepático com a tecnologia em um paciente do SUS.
“A máquina de perfusão permite que o fígado seja mantido em condições muito próximas às do organismo e, ao mesmo tempo, possibilita avaliar seu funcionamento antes do transplante. Com isso, conseguimos tomar uma decisão mais segura sobre a utilização do órgão e ampliar as possibilidades de transplante”, explica o cirurgião Dr. Renato Silva, chefe da Unidade de Transplante de Fígado do Hospital de Base.
Quer ser doador? Avise sua família
Para ser doador de órgãos após a morte, não é necessário fazer cadastro, registrar a vontade em cartório ou deixar a informação em documentos. O mais importante é conversar com familiares e deixar claro o desejo de doar. Isso porque, no Brasil, a doação só pode ser realizada após a autorização da família.
Assim, quem deseja ser doador deve comunicar essa decisão às pessoas mais próximas. Em caso de morte e havendo possibilidade de doação, uma equipe de saúde realizará a entrevista com a família e explicará todo o processo.
No Setembro Verde, a OPO do Hospital de Base reforça a importância de falar sobre o assunto em vida. A doação de órgãos é um gesto de solidariedade que pode beneficiar várias pessoas e oferecer uma nova oportunidade a quem espera por um transplante. Para que esse gesto aconteça, o primeiro passo é simples: conversar com a família e dizer “eu quero ser doador”.
- Assessoria de Comunicação