Sanções de Trump começam a atingir funcionamento do TPI

As sanções impostas pelo governo do presidente Donald Trump ao Tribunal Penal Internacional (TPI) começaram a afetar serviços usados pela corte em Haia, na Holanda. O tribunal encerrou nesta quinta-feira (1º) seu contrato de seguro de saúde com a seguradora francesa Axa. Antes, já havia trocado programas da americana Microsoft por ferramentas europeias e tomado medidas para proteger serviços bancários e o pagamento dos funcionários.

Segundo o jornal britânico Financial Times, a Axa citou os riscos provocados pelas sanções dos EUA contra membros do TPI durante as discussões sobre o encerramento do contrato. A seguradora francesa tem operações nos Estados Unidos e temia ficar exposta às restrições de Washington por continuar prestando serviços à corte. O tribunal já encontrou outra empresa para assumir o seguro de saúde dos funcionários, mas não revelou o nome dela.

As sanções dos Estados Unidos podem dificultar a contratação de empresas e o uso de serviços financeiros pelo TPI. Companhias com negócios ou operações no mercado americano correm o risco de ficar expostas às sanções caso prestem serviços a pessoas atingidas por elas.

O TPI começou a se preparar para lidar com as sanções americanas ainda no ano passado. Na ocasião, o tribunal substituiu programas da Microsoft pelo openDesk, conjunto de ferramentas de código aberto desenvolvido na Alemanha. Também buscou alternativas para serviços bancários e chegou a antecipar meses de salários para evitar problemas nos pagamentos. A vice-procuradora Nazhat Shameem Khan disse ao Financial Times, em setembro, que a corte tomou essas medidas para reduzir o risco de interrupções provocadas pelas sanções.