
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se encontraram nesta quinta-feira (23) em Manila, nas Filipinas, à margem da reunião ministerial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e conversaram sobre a guerra na Ucrânia.
De acordo com a agência estatal russa Tass, o encontro durou pouco mais de meia hora e Lavrov informou Rubio “sobre a situação atual na linha de frente do combate e enfatizou a inadmissibilidade do contínuo fornecimento de armas à Ucrânia”.
“O ministro das Relações Exteriores da Rússia reafirmou a disposição da Rússia em resolver o conflito na Ucrânia e seu compromisso com os acordos alcançados em Anchorage”, afirmou a Tass, em referência ao encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o ditador russo, Vladimir Putin, realizado na cidade do Alasca em agosto do ano passado.
Depois dessa reunião, Trump passou a pressionar a Ucrânia para que aceite ceder à Rússia territórios que as forças de Moscou não conseguiram conquistar no campo de batalha, reduzir o tamanho das suas forças armadas e outras concessões. Kiev apresentou uma contraproposta, e desde então a negociação está paralisada.
A Tass acrescentou que Lavrov e Rubio também discutiram a normalização das condições de funcionamento das missões diplomáticas da Rússia e dos EUA e “questões regionais e internacionais, incluindo a situação no Golfo Pérsico”.
Rubio falou sobre o encontro com o chanceler russo em um breve post no X. “Reuni-me hoje com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, à margem da reunião ministerial da Asean. Discutimos a relação entre os EUA e a Rússia e a necessidade de acabar com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia”, afirmou o secretário de Estado americano.
Antes do encontro, Rubio havia sido questionado por um jornalista em uma entrevista coletiva se iria pressionar Lavrov por medidas para encerrar a guerra, iniciada em fevereiro de 2022.
“Não sei se o termo é ‘pressioná-lo’. Vamos conversar sobre isso. Obviamente, a guerra na Ucrânia, creio eu, prejudicou de muitas formas a capacidade da Rússia e dos Estados Unidos de encontrar pontos de concordância em outros temas. Isso não significa que não buscaremos outras áreas de possível cooperação”, disse o secretário.
“Mas, da mesma forma, gostaríamos de ver o fim dessa guerra. Acreditamos que seria bom para a Rússia se essa guerra chegasse ao fim”, afirmou Rubio.
Apesar da pressão sobre a Ucrânia para que aceite um acordo, o governo Trump segue enviando ajuda militar para o país através do programa PURL, por meio do qual outros integrantes da Otan estão pagando por armas americanas enviadas a Kiev, e neste mês o presidente dos Estados Unidos avisou que concederá a licença para que os ucranianos fabriquem sistemas de defesa Patriot.
Além disso, na semana passada, Trump sinalizou que deve apoiar um pacote de sanções contra a Rússia que está tramitando no Congresso americano e que prevê tarifas sobre importações de países que compram petróleo, urânio e gás natural russos, para pressionar Putin a negociar um cessar-fogo com a Ucrânia.