
O regime de Vladimir Putin ampliou neste mês o controle sobre operações de empresas europeias na Rússia, retirando de grupos estrangeiros o comando de seus negócios no país e entregando a administração a companhias escolhidas por Moscou. A medida atingiu, entre outras, a alemã Metro, a suíça Nestlé e a francesa Auchan e ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e a União Europeia (UE) por causa da invasão à Ucrânia.
Moscou justifica as intervenções como uma forma de retaliação às medidas econômicas adotadas pela Europa contra a Rússia desde a invasão da Ucrânia. A disputa ganhou força com o congelamento de cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central russo na União Europeia e com o uso dos rendimentos gerados por parte desse dinheiro para financiar a Ucrânia. Nesta terça-feira (29), uma autoridade de alto escalão do regime russo afirmou à agência Reuters, sob condição de anonimato, que Moscou prepara novas respostas contra interesses europeus. Questionada sobre quais empresas poderiam perder o controle de suas operações na Rússia, a autoridade respondeu: “Que tenham medo”.
A declaração ocorreu um dia depois de Putin determinar que as operações da rede atacadista Metro na Rússia fossem colocadas sob administração temporária. A empresa alemã confirmou que perdeu imediatamente o controle sobre sua subsidiária no país. A propriedade formal continua pertencendo à Metro, mas a companhia deixou de decidir sobre a operação do negócio. O comando foi transferido para a empresa russa UK Torg RUS. A Metro atua na Rússia desde 2001, mantém 91 lojas no país e emprega cerca de 9 mil pessoas.
Kremlin relaciona medidas ao apoio europeu à Ucrânia
Nesta terça-feira (29), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as decisões contra as empresas europeias foram influenciadas pelo que Moscou considera um aumento da participação de países classificados pela Rússia como “não amistosos” na guerra.
Segundo Peskov, as intervenções podem ser revertidas, mas o regime russo afirma que atualmente não vê condições para isso. Moscou acusa países europeus de fornecer armas, informações e outros recursos utilizados pela Ucrânia contra as forças russas. Os governos europeus, por sua vez, afirmam que o apoio militar é destinado à defesa da Ucrânia após a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.