
Um projeto da Fifa de criar uma empresa de US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo com investidores privados, incluindo a família de um genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi criticado pela Uefa, a confederação europeia de futebol.
Segundo informações da agência Associated Press, a federação mundial está trabalhando com o banco J.P. Morgan nesse plano e entre os investidores pretendidos está a holding Thrive Eternal, de Joshua Kushner, cujo irmão, Jared Kushner, é genro de Trump.
A subsidiária comercial, que se chamaria Fifa Forward Enterprise (FFE), vai ajudar a administrar competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. O plano precisa ser aprovado pelas federações de futebol afiliadas à Fifa, que tem status jurídico de organização sem fins lucrativos.
A federação afirmou em um comunicado nesta terça-feira (28) que a FFE levantaria até US$ 4,2 bilhões este ano para ajudar a financiar programas de desenvolvimento “com base em uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões, selecionando cuidadosamente investidores de longo prazo que adquirirão participações minoritárias e não controladoras”.
Em comunicado, porém, a Uefa disse que a Copa do Mundo e outras competições mundiais não pertencem à Fifa “para serem vendidas” e que “nenhum de nós é dono do futebol”.
“A essência e a governança do futebol não são ativos para serem negociados — especialmente sem nenhuma transparência sobre quem lucra financeiramente”, disse a Uefa. “Isso [o projeto] ultrapassa um limite que as instituições que regem o futebol jamais deveriam ultrapassar.”
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, se aproximou de Trump desde que este voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, ele criou o Prêmio da Paz da Fifa para homenagear o presidente americano após este ter sido esnobado pelo comitê do Nobel da Paz.
Este mês, após telefonema de Trump a Infantino, o Comitê Disciplinar da Fifa concedeu um indulto ao atacante americano Folarin Balogun, que havia sido expulso em partida da segunda fase da Copa do Mundo contra a Bósnia-Herzegovina, e permitiu que ele atuasse no jogo contra a Bélgica pelas oitavas de final.
O presidente dos Estados Unidos admitiu que ligou para o mandatário da Fifa após a expulsão de Balogun, mas disse que apenas pediu para que o lance fosse revisado, não que o cartão vermelho fosse cancelado.
Diante dessa proximidade, a ONG FairSquare apresentou uma denúncia contra Infantino junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual o presidente da Fifa faz parte, alegando que o dirigente esportivo “violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer apoio político ao presidente dos EUA, Donald Trump”. A Comissão de Ética do órgão olímpico rejeitou a denúncia.
Na semana passada, o jornal The New York Post noticiou que Trump quer que Infantino seja o próximo secretário-geral da ONU.