Por que aceno de Trump à Coreia do Norte pode fortalecer a China

A tentativa do presidente americano Donald Trump de se aproximar da Coreia do Norte abre caminho para a China fortalecer sua agenda de política externa na Ásia. O movimento ocorre em meio ao silêncio de Pyongyang sobre o contato com os EUA, enquanto mantém sua política belicista e alianças com Pequim e Moscou.

A aproximação diplomática de Trump com um dos regimes mais isolados do mundo vem acompanhada da decisão de cortar drasticamente as manobras militares com a Coreia do Sul, abalando um dos eixos de segurança mais antigos do continente asiático. Esse e outros fatores podem contribuir para os planos da China na região, incluindo sua estratégia de pressionar militarmente Taiwan até a tomada da ilha.

Frederico Dias, professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, destaca que as medidas mais recentes anunciadas pelo chefe da Casa Branca podem, de fato, fortalecer os laços da China com sua vizinha norte-coreana, aproveitando um momento de fragilidade nas antigas alianças, ao mesmo tempo em que capitaliza influência e valida a liderança regional do gigante asiático diante das crescentes tensões entre Seul e Washington.

O aparente afastamento entre Coreia do Sul e EUA surge em um momento em que a Casa Branca tem reclamado da lentidão na aplicação do acordo comercial firmado no ano passado com Seul, que prevê investimentos de US$ 350 bilhões nos EUA. Ainda, o republicano disse nesta semana que a redução dos exercícios militares conjuntos se justificaria, em parte, pela falta de apoio do aliado asiático na reabertura do Estreito de Ormuz durante a guerra contra o Irã.