
Padres da Diocese de Getafe, na Espanha, lideram esforços de socorro a cerca de 50 mil pessoas afetadas por incêndios florestais devastadores. A Igreja Católica transformou paróquias em centros de abrigo, oferecendo comida, suporte emocional e assistência religiosa às famílias e seminaristas desalojados.
Qual é o papel da Igreja Católica no combate aos efeitos do desastre?
A Igreja transformou paróquias e centros esportivos em locais de acolhimento. Sob a supervisão do bispo auxiliar José María Avendaño, os padres e voluntários da Cáritas oferecem não apenas abrigo e comida, mas também escuta atenta e conforto espiritual por meio de confissões e missas, ajudando a aliviar o trauma psicológico de quem perdeu tudo nas chamas.
Como as crianças estão sendo amparadas durante a crise?
As autoridades locais confiaram especificamente o cuidado dos menores à paróquia. Voluntários e jovens mantêm as crianças entretidas com jogos e atividades recreativas constantes. Esse acolhimento é tão eficiente para o bem-estar dos pequenos que alguns chegam a comparar a situação com um acampamento de férias, reduzindo o estresse causado pela evacuação forçada das cidades.
O que aconteceu com o seminário menor da Diocese de Getafe?
Localizado no Vale do Tiétar, uma das áreas mais atingidas, o seminário menor precisou ser evacuado às pressas em apenas 25 minutos. Cerca de 130 alunos e seminaristas deixaram o local devido ao cerco da fumaça. De forma heroica, o reitor e sua equipe conseguiram remover não apenas as pessoas, mas também arquivos históricos, estátuas religiosas e o Santíssimo Sacramento antes que o perigo aumentasse.
Qual é a maior preocupação dos líderes religiosos para o futuro da região?
Além do choque imediato, existe uma preocupação com a sobrevivência econômica a longo prazo. Muitas dessas cidades vivem exclusivamente da terra, e o solo destruído pelo fogo impedirá que as pessoas recuperem seus empregos e sustentem suas casas nos próximos anos. O reitor Eliert Jerez aponta que muitos seminaristas enfrentarão sérias dificuldades financeiras para continuar seus estudos.
De onde vem a motivação dos voluntários para enfrentar a tragédia?
A motivação é baseada no que chamam de visão sobrenatural da esperança. O padre Álvaro Piñero explica que o trabalho é sustentado pela confiança na Providência divina, que se manifesta de forma tangível por meio das doações e do trabalho braçal de inúmeros voluntários. Para eles, o cuidado recebido agora é o que dá forças para acreditar que haverá um amanhã mesmo após a destruição.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.