O que ver nas ruas decoladas de SP, Rio, BH e Recife – 28/10/2026 – Turismo

Há uma década, a rua do Senado, no centro do Rio de Janeiro, tinha alguns antiquários e uma loja de bebidas, o centenário Armazém do Senado, com rodas de samba aos fins de semana. De lá para cá, virou ponto de encontro entre jovens, com restaurantes e bares, e ter sido eleita, em 2025, a rua mais legal do mundo pela revista Time Out.

Em São Paulo, o movimento que transformou a rua dos Pinheiros, na zona oeste, aconteceu um pouco antes. Até 2009, quando foram retirados os tapumes das obras do metrô, havia bares e restaurantes de bairro, oficinas mecânicas e prestadores de serviço. Hoje, o trecho entre as avenidas Pedroso de Moraes e Rebouças é um dos principais corredores gastronômicos da cidade.

Quando a gente analisa a história das ruas brasileiras que viram pontos de encontro, existe uma mistura bem dosada de tradição e modernidade. Imóveis antigos e preservados convivem com estabelecimentos jovens e descolados como por exemplo bares, restaurantes, espaços culturais e lojas.

A transformação, no entanto, sempre depende de algum empreendedor mais corajoso que, atraído pelo aluguel camarada, topa correr o risco. Quando o empresário Lúcio Vieira decidiu abrir o restaurante Lilia na rua do Senado, no alto de um sobrado do século 19, tinha poucas pistas do que viria a seguir.

“A galera mais antenada já havia reparado que acontecia algo parecido em São Paulo, na região da República, mas tinha receio. O Armazém do Senado era point da velha guarda do samba, mas não vinha ninguém de outros bairros para cá, muito menos turistas”, lembra Vieira, que depois abriu mais dois bares na rua: o Labuta Bar e o Braseiro Labuta.

Chico Ferreira e Gil Carvalhosa Leite, sócios do Le Jazz, viveram algo parecido em 2009. Alugaram uma loja na rua dos Pinheiros, antes ocupada por uma oficina. As obras do metrô haviam deixado de herança uma série de imóveis desocupados.

No livro “Alma de Bistrô – A Trajetória do Le Jazz” (ed. Amê Content), o autor Luiz Américo Camargo conta que a dupla enxergou na via “algo de Saint-Germain: charme decadente, eflúvios boêmios, um sentimento de camaradagem entre vizinhos”.

As ruas do roteiro a seguir, em quatro capitais brasileiras– São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife – têm histórias e identidades bem distintas. Algumas entraram no radar dos turistas internacionais por causa dos rankings.

A República, que não é só uma rua, mas uma microrregião no centro histórico de São Paulo, entrou este ano na lista dos 40 bairros mais legais do mundo da revista Time Out na 25ª posição.

A mesma publicação, em 2024, coroou a rua Arnaldo Quintela, no bairro carioca de Botafogo, como a oitava mais cool do mundo. Já a revista norte-americana Architectural Digest elegeu, em 2020, a rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, a terceira mais bonita do planeta.

Em comum, ranqueadas ou não, todas elas podem (e devem) ser percorridas a pé – e, apenas por existirem, já valem a viagem.

RUA DO SENADO, RIO DE JANEIRO

Imóveis do século 19 abrigam antiquários. Nos fins de semana, a partir da tarde de sexta-feira, o agito se concentra entre as ruas do Lavradio e Mem de Sá, onde o asfalto ferve com a roda de samba e artistas que se apresentam no alto das sacadas.

Nº 40: Na Hamburgueria da Alfândega, lanches como o volcanic, coberto de cheddar derretido, podem ser degustados em mesas na calçada.

Nº 45: O restaurante Lilia tem cozinha criativa chefiada por Yan Ramos. Com 11 tempos, o menu-degustação custa R$ 410.

Nº 46/48: Na antiga fábrica da Granado, o complexo reúne o centro cultural Solar dos Abacaxis e o Mercado Central, com os restaurantes Bocado, Petí e Suba.

Nº 47: Misto de loja, bar e centro cultural, o Ateliê Bonifácio dedica-se à cultura afro-brasileira.

Nº 53: Produtora de gim, vodca e cachaça, a Destilaria Maravilha funciona como bar de coquetelaria e espaço musical.

Nº 60: Inaugurada em 1907, a loja de bebidas Armazém Senado é palco de rodas de samba às sextas, sábados e domingos. A casa não tem cozinha, mas permite que os clientes peçam comida no Labuta Bar, ao lado.

Nº 62: Saem da cozinha do Labuta Bar os PFs (a partir de R$ 54) e porções que abastecem as mesas do vizinho Armazém Senado.

Nº 65: No Braseiro Labuta, as especialidades são o flat iron de wagyu (R$ 429) e o assado de tira (R$ 155), ambos com 350g.

RUA ARNALDO QUINTELA, RIO DE JANEIRO

Depois que oficinas mecânicas saíram de cena, bares e restaurantes voltados ao público alternativo transformaram o pedaço em “baixo Bota”.

Nº 23: A pizzaria Ferro e Farinha do nova-iorquino Sei Shiroma é a 31ª do mundo no ranking internacional 50 Top Pizza.

Nº 87: Cadeiras de praia na calçada, chorinho aos domingos e petiscos como frango à passarinho (R$ 54,90) são os atrativos do Xepa Bar.

Nº 89: Dedicado ao rock, o Culto Bar serve pizzas (a partir de R$ 50) na companhia de coquetéis (a partir de R$ 28).

Nº 93: O bar de vinhos Belisco, da sommelière Gabriela Teixeira, tem menu do chef Douglas Sanchez. Taças de R$ 35 à R$ 60.

Nº 102: O chef Pedro Siqueira comanda a Sisi Cucina, onde serve sanduíches (R$ 34 a R$ 45) e pizzetas (R$ 25) no balcão.

Nº 124: Coquetéis e vinis são o atrativo do Quartinho Bar, que promove matinês às quintas, com dança e DJ.

RUA DOS PINHEIROS, SÃO PAULO

O trecho entre a R. Doutor Fernandes Coelho e a Av. Rebouças concentra o burburinho, que aumenta nos fins de semana sem chuva.

Nº 174: A churrasqueira do Cozinha 212, aberta para o salão, é pilotada pelo chef Stefan Weitbrecht.

No nº 70, ele comanda o Atlântico 212, cujo menu mescla mar e terra à brasa.

Nº 209: Fundada em 1998, a rede Pirajá reproduz os botecos cariocas em pedidos como o picadinho à moda Leblon (R$ 87).

Nº 220: Filhote da rede Bráz, a Bráz Elettrica foca nas pizzas individuais autorais, assadas em forno elétrico.

Nº 230: Doces tradicionais, como pavês, tortas e bolos embrulhados, são hits da Brigadeiro Doceria & Café.

Nº 254: A Le Jazz Brasserie deu início ao movimento que fez a rua bombar. O chef Chico Ferreira privilegia clássicos franceses, como filé-mignon aux poivre (R$ 121).

Nº 274: A filial do restaurante Nou opera com o mesmo menu da matriz. Um dos clássicos é o filé à milanesa com risoto de limão-siciliano (R$ 79/R$ 99).

Nº 320: O catalão Oscar Bosch comanda a Bodega Pepito, com menu de tapas à moda espanhola, como pan con tomate (R$ 29).

Nº 332: Com outras três unidades, a Modern Mamma Osteria pertence aos chefs Salvatore Loi e Paulo Barros. A lasanheta de vitelo (R$ 106) é um dos ícones do menu.

Nº 436: A filial da carioca Momo Gelato tem mesas externas e parklet. Na vitrine, há sempre 24 sabores, como stracciatella e pistache (R$ 25 por 100g).

Nº 476: A rede de hamburguerias Patties é famosa pelas portinhas, de onde saem lanches com preços baixos.

Nº 513: Um sobrado de esquina abriga uma das filiais da carioca Livraria da Travessa.

Nº 537 – Fundada na Mooca, em 1951, a confeitaria Dulca virou Dulca Caffè. Clássicos como sonhos (R$ 20) aparecem ao lado de pratos para almoço e sanduíches.

PRAÇA DA REPÚBLICA E ARREDORES, SÃO PAULO

Casas moderninhas e estabelecimentos históricos convivem no centro da maior metrópole do país.

Copan (Av. Ipiranga, 200)

Lj. 27: Com pratos como fígado acebolado (R$ 81) e camarão com chuchu (R$ 130), a chef Janaína Torres fez do Bar da Dona Onça um dos pontos turísticos mais bombados do centro.

Lj. 46: O colombiano Dagoberto Torres está à frente do pequenino Brisa do Barú, dedicado aos frutos do mar.

Lj. 53: Dividem o espaço a livraria Megafauna e o Cuia, misto de café, bar e restaurante da chef Bel Coelho.

R. Araújo

Nº 62: O Cortina é um bar-de-ver: combina espaço dedicado ao audiovisual com restaurante e bar sob comando do chef Checho Gonzales e do bartender Daniel Gomes.

Nº 124: A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda, pôs o centro no mapa gastronômico internacional. Com seis etapas, o menu-degustação custa R$ 249.

R. Bento Freitas

Nº 314: Hambúrgueres, hot dogs e sanduíches são especialidades da Z Deli Sandwiches.

Nº 454: Salsichas artesanais com receita do chef Jefferson Rueda recheiam os cachorros-quentes (R$ 30) da lanchonete Hot Pork.

R. Epitácio Pessoa

Nº 94: As casquinhas da Sorveteria do Centro são sobremesas completas. A chocólatra (R$ 23) leva bolo, calda e granulado.

Nº 98: A chef Janaína Torres converteu o antigo refeitório de funcionários no restaurante Merenda da Cidade. Almoço (com suco e sobremesa) sai por R$ 49.

RUA DO BOM JESUS, RECIFE

No ponto onde a capital pernambucana nasceu, história e cultura se casam com a boêmia. Aos domingos, a via de paralelepípedos ganha ainda mais vida com a feira de artesanato e comidinhas típicas.

Praça do Arsenal: Ao redor da praça, onde começa a rua, ficam a Torre Malakoff, do século 19, espaço de exposições e anfiteatro com programação gratuita, o centro cultural Paço do Frevo e o Teatro Mamulengo.

Nº 125: Em prédio tombado de 1871 funciona a Ranulpho Galeria de Arte, dedicada a artistas pernambucanos.

Nº 163: No quesito arte popular, a loja Artesanato Pernambucano tem de um tudo.

Nº 183: Na Embaixada dos Bonecos Gigantes, é possível ver de perto alguns dos bonecões que já desfilaram no Carnaval.

Nº 197: A Sinagoga Kahal Zur Israel, primeira das Américas, foi erguida entre 1637 e 1644 e funciona como museu.

Nº 237: A Casa Zero reúne espaços dedicados ao empreendedorismo social, com cursos, oficinas e exposição de trabalhos de ongs e projetos educacionais, e uma cafeteria, o Café Do Zero.

RUA LEVINDO LOPES E ARREDORES, BELO HORIZONTE

No coração da Savassi, a confluência entre as ruas Levindo Lopes e Antônio de Albuquerque virou ímã de estabelecimentos.

R. Antônio de Albuquerque

Nº 913: Todo sábado, a partir das 13h, a Livraria da Rua embala a clientela com música ao vivo na calçada.

Nº 917: A chef Jana Barrozo assina a cozinha do Rex Bibendi, cuja carta de vinhos privilegia rótulos de Minas Gerais.

R. Levindo Lopes

Nº 22: O Cabernet Butiquim promove o casamento entre a cultura do vinho e os botecos mineiros. Taças a partir de R$ 29.

Nº 96: Bodega à espanhola, o Gata Gorda tem menu de salumeria, pintxos e tapas – tortilha de batatas trufada a R$ 65.

Nº 124: O centro gastronômico Mercado da Boca reúne vários estabelecimentos: os restaurantes Zazá, Esquina Parrillera e Projeto Sabor, Fiorella Gelato, Bar da Boca e Drinkeria

Nº 318: Elisa Dayrell responde pela cozinha da Espetacular Doceria, que faz jus ao nome.

Mais informações: Folha de São Paulo

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