O que esperar do discursos de Lula e Trump na ONU

Com Brasil e Estados Unidos por tradição abrindo os discursos do debate de líderes de governo e Estado da Assembleia Geral da ONU, a expectativa é sobre o teor das falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta terça-feira (22) em Nova York, com o primeiro pronunciamento com início previsto para as 10 horas (de Brasília).

Informações de bastidores apontam que o petista deve falar sobre multilateralismo e defesa da “soberania nacional”, em um momento em que a gestão do presidente americano lidera uma ofensiva contra organismos multilaterais – como a própria ONU – e mira o Brasil com tarifas e cobranças por falhas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), designados por Washington como grupos terroristas, e sinaliza com sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Tais informações, porém, apontam que Lula não deve se referir diretamente a Trump no seu discurso. Outros temas a serem abordados pelo petista devem ser os conflitos crescentes pelo mundo, meio ambiente e sustentabilidade.

“O Brasil gosta de ser visto no papel de um possível interlocutor para negociações de paz, então o discurso do Lula deve ter isto. Ele vai falar também, possivelmente, da possibilidade de uma mudança na estrutura das Nações Unidas para dar maior voz ao Sul Global, propondo uma nova estrutura da ONU que reflita a nova organização mundial — organização esta que está um pouco confusa, para falar a verdade”, afirmou Maurício Fronzaglia, professor de relações internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), à Gazeta do Povo.