
O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente Lula (PT) de “ladrão” durante uma entrevista à revista francesa Le Point, publicada nesta quinta-feira (1º). Na mesma conversa, o argentino acusou Lula de ter enviado uma equipe ao país para atuar contra sua candidatura na eleição presidencial argentina de 2023 e disse esperar que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) vença a disputa presidencial brasileira.
Milei chamou Lula de ladrão ao ser questionado sobre sua relação com o petista e se as divergências políticas entre os dois não impederiam a manutenção das relações comerciais entre o Brasil e a Argentina. “O comércio é uma questão entre privados. Se alguém quiser negociar com o Brasil, seja bem-vindo. Isso não me impede de dizer o que penso de Lula. Para mim, ele é um ladrão”, afirmou Milei ao Le Point. O argentino mencionou a prisão de Lula durante a Operação Lava Jato e afirmou que o brasileiro “saiu da prisão por uma questão administrativa”. Lula ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019 após ser condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. As condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mesma resposta, Milei acusou Lula de ter atuado contra sua candidatura durante a eleição presidencial argentina de 2023. “Durante minha campanha, Lula enviou a Buenos Aires uma equipe de trinta brasileiros, psicólogos e comunicadores, para organizar uma campanha negativa contra mim”, disse.
Questionado se esperava uma mudança política no Brasil, Milei respondeu que sim e declarou apoio a Flávio Bolsonaro. “Tenho muita esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro e realize o saneamento liberal de que o Brasil precisa”, afirmou. O argentino criticou a situação das contas públicas brasileiras. Milei afirmou que o Brasil tem um déficit fiscal de dez pontos do Produto Interno Bruto (PIB) e disse que Lula deixará uma situação “muito complicada” para o próximo governo.
Na sequência, Milei comparou o Brasil à situação encontrada por ele ao assumir a Presidência argentina e defendeu as medidas de redução dos gastos públicos adotadas por seu governo.
“Nós mostramos na Argentina que é possível fazer isso sem prejudicar as pessoas. Reduzimos um déficit fiscal de quinze pontos do PIB no Tesouro e de dez pontos no Banco Central. Cortamos gastos, reduzimos impostos, diminuímos a pobreza e colocamos a inflação numa trajetória de queda. Isso pode ser feito”, afirmou.
Milei critica Moraes
Milei também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao recordar uma tentativa de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma viagem ao Brasil. “Quando quis visitar meu amigo Jair Bolsonaro, aquele juiz corrupto, amigo de Lula, não permitiu”, afirmou.
O presidente argentino comparou o episódio com uma visita feita por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner. “Em compensação, quando Lula veio à Argentina, ninguém o impediu de visitar Cristina Fernández de Kirchner, já condenada”, disse.
Lula visitou Cristina Kirchner em Buenos Aires em julho de 2025, quando a ex-presidente cumpria prisão domiciliar após a Suprema Corte argentina confirmar sua condenação a seis anos de prisão por corrupção.