
Após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, pedir um pente-fino no canal “Exército do Lula” no WhatsApp, as empresas Meta, Google e X responderam, na noite desta sexta-feira (23), que não encontraram irregularidades na atuação coordenada dos participantes.
O canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), chegou a 10 milhões de membros nesta tarde. A Meta esclareceu que a atuação coordenada é proibida quando for vinculada a “atividades violentas ou criminosas, e não a mobilização política lícita”.
A análise técnica constatou que “não há violação das políticas” da Meta. Contudo, a empresa disse que ainda não examinou todos os documentos do processo e solicitou mais cinco dias para concluir a análise.
O X informou ao ministro que identificou a atuação coordenada em 58 hashtags, que chegaram a 8,2 milhões de publicações. A plataforma ressaltou, no entanto, que a mobilização foi realizada “predominantemente” por contas autênticas de usuários brasileiros, o que não é vedado pelas regras da rede social nem pela legislação eleitoral.
O Google também relatou não ter identificado indícios de tráfego automatizado ou robôs. A big techs destacou que o aumento em termos de pesquisas não configura manipulação irregular de conteúdo.
Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para pedir informações detalhadas às plataformas.
“Narra coordenação em rede operada a partir do canal ‘EXÉRCITO DO LULA’, administrado por André Luis Gaspar Janones, cujas ordens – hashtags em horário marcado, comentários ditados e textos prontos – seriam cumpridas no Instagram, no Facebook e no Threads”, afirmou o ministro na ordem acerca do pedido feito pela campanha de Flávio, e que a Gazeta do Povo teve acesso.
Nesta sexta (23), o ministro pediu que as big techs reforcem seus quadros de funcionários neste final de semana para garantir o cumprimento do plano de conformidade na reta final da eleição.
Segundo a campanha de Lula, havia a possibilidade de Nunes Marques suspender o canal de WhatsApp. Após a reunião com as plataformas, o ministro negou essa possibilida.
“O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidos”, diz o comunicado do Tribunal.