Lago de Como: roteiro de fim de semana com passeios – 12/10/2026 – Turismo

Em uma palavra, o Lago de Como, na Itália, deslumbra. Este refúgio ao norte de Milão tem águas cristalinas cercadas por montanhas em forma de pão de açúcar, com os contrafortes escarpados dos Alpes elevando-se ao norte. Encanta com vilarejos dignos de contos de fadas e villas imponentes, além de uma rica história na produção de seda e na construção naval.

Antigo refúgio de espíritos poéticos como Stendhal e Shelley, o Lago de Como continua a inspirar, embora hoje o clima seja mais animado do que literário.

De Como até Cadenabbia, novos restaurantes e hotéis de luxo, como o Passalacqua, atraem visitantes ao braço sudoeste do lago —assim como, dizem muitos, George Clooney, morador local e embaixador involuntário da região.

A temporada de viagens é agradável de abril a outubro, embora o clima lendariamente ameno da região esteja dando sinais de mudança —a seca deste verão deixou faixas marrons em suas montanhas verdes, em meio a fenômenos meteorológicos extremos por toda a Itália. Ainda assim, sua beleza arrebatadora permanece.

ROTEIRO


SEXTA-FEIRA


18h: Embarque

A melhor maneira de experimentar o Lago de Como é pela água, de onde se avistam antigas torres de vigia de pedra, residências senhoriais e jardins exuberantes, tudo emoldurado pelas montanhas.

Os barcos de madeira feitos à mão por Ernesto Riva, estaleiro fundado em 1771, são o emblema náutico do lago e atravessam sua história —do contrabando de mercadorias pela fronteira com a Suíça ao transporte veloz de hóspedes VIP para hotéis cinco estrelas.

Para uma dose de glamour à moda antiga, a Como Classic Boats oferece passeios privativos em lanchas de modelos clássicos (a partir de 350 euros ou, aproximadamente, R$ 1.971; mínimo de duas horas), com capitães que revelam os tesouros e os recantos mais tranquilos do lago.

Como alternativa econômica, o serviço público de balsas (a partir de 10,40 euros ou, aproximadamente R$ 59) oferece uma maneira tranquila de explorar as cidades à beira d’água.

Chegue cedo para conseguir um dos lugares ao ar livre nas embarcações mais lentas.

20h: Saboreie a vista

O salão envidraçado e o terraço com mesas sobre a água presenteiam os clientes do Una Finestra sul Lago (“uma janela para o lago”) com uma paisagem de cartão-postal, sobretudo para quem consegue chegar antes de escurecer. O restaurante, que se destaca pela culinária centrada em frutos do mar, fica na margem oeste do lago, no vilarejo de ruas de pedra de Carate Urio.

Uma equipe jovem, música eclética e uma carta de vinhos ousada —incluindo rótulos de Stefano Beltrama, que produz apenas cerca de 5.000 garrafas por ano— conferem à experiência gastronômica refinada uma atmosfera descontraída, tornando ainda mais agradáveis pratos criativos como carpaccio de atum com ervilhas-tortas e emulsão de soja (29 euros ou, aproximadamente R$ 163), além de pizzas gourmet (a partir de 19 euros ou, aproximadamente R$ 107).

SÁBADO

8h30: Um café da manhã magistral

Para começar o dia com requinte, experimente um pouco de arte contemporânea com seu café. A Casabianca, uma villa da década de 1930, abriu ao público este ano com uma unidade da célebre confeitaria milanesa Cova, uma galeria de arte e suítes de luxo. Tanto a coleção de arte quanto a villa pertencem à família De Santis, também proprietária do hotel Passalacqua e do Grand Hotel Tremezzo.

Entre as obras expostas estão criações de Anselm Kiefer, Marina Abramovic e Giuseppe Penone. A arquitetura original foi preservada, como na sala de estar escura, revestida de madeira, onde café, cornetti e outros doces são servidos em porcelana fina e travessas de prata, enquanto os visitantes relaxam em poltronas estofadas de veludo de designers italianos como Ico Parisi e Gio Ponti —doces a partir de 5 euros (aproximadamente R$ 28); ingressos para a galeria, 15 euros (aproximadamente R$ 84).

10h: Compre provisões

Embora Como já seja próspera, sua fortuna continuou a crescer nos últimos anos, com o aumento do número de turistas e de novos moradores vindos de Milão e do exterior.

Ainda assim, as antigas tradições locais da cidade permanecem firmes —e em nenhum lugar isso é mais evidente do que em seu mercado coberto, inaugurado em 1934. Aberto quatro dias por semana, o mercado reúne bancas que vendem carnes, frutas, verduras e outros produtos regionais, com bons preços e conversas descontraídas com os produtores.

Na banca Casole Roccolo, os sonhos dos amantes de queijo se tornam realidade, com opções orgânicas premiadas feitas com leite das próprias cabras do maturador (a partir de 11,80 euros ou aproximadamente R$ 66).

Antes de sair, pare no café Bottega del Vino, dentro do mercado, para tomar um espresso (a partir de 1,60 euro e aproximadamente R$9) e participar da cordial conversa da vizinhança.

10h30: Passeie por lugares históricos

Júlio César fundou o assentamento romano de Como em 59 a.C., e a cidade concentra marcos históricos como a torre Porta Vittoria, de 1192 —são 13 andares, com sucessivas fileiras de arcos de pedra.

A riqueza de Como financiou igrejas magníficas, em especial sua catedral —uma imponente igreja gótica cuja construção remonta a 1396, com tetos dourados e tapeçarias do século 16. Atrás dela, o Palazzo Broletto, com seus pórticos e construído em 1215, funcionava como prefeitura na Idade Média.

Nas proximidades, a Basílica de San Fedele, cuja construção começou por volta de 1120, é uma joia românica. O museu Pinacoteca Civica (ingressos, 6 euros ou, aproximadamente R$ 34) abriga obras do Renascimento ao século 20, além de exposições temporárias, enquanto o Museu da Seda de Como (10 euros ou, aproximadamente, R$ 56) apresenta aos visitantes complexos teares de fabricação de tecidos, exibidos ao lado de luxuosas peças de seda —o tecido que é a marca do comércio de Como desde o século 16.

11h45: Procure artigos únicos

Como é uma cidade abastada, como comprovam seus comerciantes tradicionais e os de uma nova geração. Estabelecimentos locais concentram-se ao longo da Via Vittorio Emanuele II. As butiques familiares Tessabit e A.Gi.Emme, ambas fundadas na década de 1950, especializam-se em uma seleção de grifes. A A. Picci, fornecedora de echarpes e gravatas artesanais desde 1919, usa seda produzida na região em seus designs originais.

A loja mais peculiar de Como é, sem dúvida, a Gioielleria Lopez, uma verdadeira câmara de curiosidades com antiguidades, objetos incomuns e sofisticadas joias finas criadas pelo proprietário; também é possível pedir chá e coquetéis em seu bar de madeira entalhada, da década de 1920.

Mais adiante, na medieval Via Vitani, passe pela Vineria Vitani, uma loja de vinhos bem abastecida, para comprar uma garrafa ou tomar um aperitivo antes do almoço —tradição em partes do norte da Itália, incluindo Como.

13h15: Almoce de um jeito diferente

Mais ao norte, em Tremezzo, cercado por trilhas e fazendas, o La Fagurida serve comida típica das montanhas em uma aconchegante casa de pedra na encosta, com um recanto junto à lareira e um terraço com amplas vistas da água. O restaurante, inaugurado em 1974, oferece um cardápio à moda antiga, com clássicos substanciosos como polenta uncia com manteiga derretida e queijo de um laticínio local, risoto coberto com peixe frito do lago e coelho cozido lentamente por horas (pratos principais a partir de 18 euros ou, aproximadamente, R$ 101).

De Como, leva-se uma hora de balsa ou ônibus, mas vale a viagem. Para quem prefere ficar em Como, o Figli di Fiori, que significa “filhos das flores”, combina floricultura e restaurante em uma construção de vidro tomada por plantas enormes —um cenário marcante para opções descomplicadas de almoço, como ravióli de burrata (massas a partir de 21 euros ou, aproximadamente, R$ 118).

15h: Perca-se nos jardins

Nos séculos 18 e 19, aristocratas e industriais do Lago de Como transformaram os jardins de suas villas em extravagantes coleções botânicas, aproveitando o microclima ameno da região para cultivar flores e plantas exóticas —na época, um símbolo de status tão poderoso quanto qualquer coleção de arte. Hoje, várias dessas residências majestosas e seus jardins exuberantes estão abertos ao público.

A Villa del Balbianello, em um espetacular promontório às margens do lago, em Lenno, é uma vitrine da arte da topiaria (ingressos a partir de 15 euros ou, aproximadamente R$ 85). Para chegar até ela, faça uma caminhada de 25 minutos pela mata a partir de Lenno.

Na vizinha Tremezzo, a Villa Carlotta (ingressos, 17,50 euros e, aproximadamente, R$ 99) tem um jardim suntuoso, com 150 variedades de azaleias e rododendros. Pare para nadar no Parque Teresio Olivelli, um lugar muito querido pelos moradores.

17h30: Caminhe pela margem do lago

Mesmo enquanto outros pontos ao redor do lago ficam lotados de turistas, Lenno e seus pequenos povoados permanecem relativamente tranquilos. A cidade, situada ao longo da trilha Greenway, de 6 milhas, é porta de entrada para trilhas nas montanhas e tem uma faixa de praia de seixos muito frequentada pelos moradores.

Passeie sob as grandes árvores frondosas de Campo, antigo assentamento romano, com vielas sinuosas de pedra que levam a uma pequena praia e à Villa Balbiano, que por si só já merece uma contemplação demorada.

Junto à torre sineira gótica e românica de Ossuccio, o museu Antiquarium apresenta uma coleção de artefatos antigos, e o ingresso inclui o barco até a única ilha do Lago de Como, a Isola Comacina, que abriga um sítio arqueológico romano, uma igreja barroca e residências de artistas da década de 1930. O último barco parte às 18h (entrada e passeio de barco, 6 euros ou R$ 34; funciona de maio a outubro).

20h: Prove a nova Como

O Cetino, o mais novo entre os restaurantes contemporâneos do Lago de Como, é comandado pelo renomado chef Mauro Colagreco e serve pratos deliciosos como ravióli de truta com ovas e endro (38 euros ou R$ 214) e ostras em água de tomate com açafrão (38 euros ou R$ 214). Fica no hotel Lake Como Edition, em Cadenabbia, inaugurado em março.

Em Cernobbio, o restaurante Materia, com estrela Michelin, apresenta uma leitura experimental da culinária do lago, desafio que o chef Davide Caranchini enfrenta em pratos como lúcio-perca com ostras e ovas e linguine com garum de peixe do lago, um molho de peixe fermentado usado na Roma Antiga —pratos que mais do que compensam o ambiente sem janelas (massas a partir de 32 euros (aproximadamente R$180); menus degustação a partir de 110 euros (aproximadamente R$ 620)).

Para uma introdução mais em conta, experimente os menus de almoço do Materia, por 25 euros (aproximadamente R$ 141), servidos de quarta a sexta-feira.

DOMINGO

9h: Passe de vilarejo em vilarejo

Enquanto Bellagio e Varenna sofrem com o turismo excessivo, outras cidades preservam seu caráter e sua tranquilidade.

Pegue a balsa até a pitoresca Brienno, um vilarejo com casas que avançam sobre a água, três pequenas igrejas e um labirinto medieval de escadarias e arcadas. Videiras e limoeiros enfeitam os terraços de pedra de Laglio, o vilarejo seguinte, facilmente acessível de ônibus e sede do histórico estaleiro de Ernesto Riva.

A costa de Laglio é pontilhada por pequenas praias, um cemitério com uma pirâmide de 65 pés de altura e belas villas, incluindo uma pertencente a Clooney. Ainda assim, o vilarejo continua perfeitamente despretensioso, com alguns restaurantes e o ponto de encontro local Da Luciano; fundado como açougue, hoje é um café com balcões panorâmicos suspensos sobre a água.

11h30: Vá atrás de uma cachoeira

Pegue o ônibus até Argegno, de onde é possível subir de teleférico até Pigra para apreciar a vista e depois descer a pé pela floresta. De Argegno, a balsa atravessa o lago até Nesso.

Quando estiver lá, não perca a vista de uma cachoeira que despenca pelo profundo desfiladeiro, tendo em primeiro plano o arco perfeito da Ponte della Civera, uma ponte medieval situada ao fim de mais de 300 degraus. É possível nadar a partir dos degraus inferiores.

13h: Almoço à beira do cais

A uma viagem de ônibus dali, na margem leste do lago, ao sul de Bellagio, o Crotto del Misto fica pouco acima da água, com vista para seu próprio cais, onde alguns clientes chegam de barco e outros partem para praticar esqui aquático ou wakeboard.

Fundado em 1832, o restaurante continua fiel às tradições locais e demonstra talento para preparar peixes do lago com um toque leve e moderno, em pratos como a truta-arco-íris servida com sementes de gergelim (18 euros ou R$ 101).

O Crotto del Misto ainda mantém uma adega do século 18, escavada na rocha e refrigerada por uma nascente natural.

Fonte: Folha de São Paulo

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