O Irã está permitindo o trânsito de navios chineses pelo Estreito de Ormuz desde a noite de quarta-feira (13), mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciava uma visita oficial a Pequim, encerrada nesta sexta (15).
“Após a decisão da república islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz seguindo os protocolos iranianos”, relataram as agências Fars e Tasnim, ambas ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em informações reproduzidas pela agência espanhola EFE.
Os dois meios de comunicação citaram fontes informadas sobre a situação, mas não ofereceram mais detalhes.
Ontem, Trump e integrantes do seu governo relataram que o ditador chinês, Xi Jinping, concordou que o Irã não pode ter armas nucleares, com a desmilitarização do Estreito de Ormuz e que não haja cobrança de pedágios na passagem marítima, bloqueada quase totalmente pelo regime iraniano desde o início da guerra contra os americanos e Israel, em 28 de fevereiro.
O presidente dos EUA também afirmou que o ditador chinês prometeu não enviar armas e equipamentos militares ao Irã.
O controle militar e comercial (com cobrança de pedágios) de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo mundial transitava antes da guerra, é uma exigência do Irã para encerrar o conflito (que desde 7 de abril está em um tenso cessar-fogo), demanda que os EUA consideram inaceitável.
Teerã insiste que permite a passagem de navios que sigam as rotas estabelecidas pela Marinha iraniana e tem a intenção de formalizar a cobrança pelo trânsito pelo estreito estratégico com a aprovação de um projeto de lei.
Apesar de a lei ainda não ter sido aprovada, o Banco Central do país anunciou no final de abril que já estava recebendo pagamentos de navios para transitar por Ormuz.
Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou a China de financiar o terrorismo por comprar petróleo do Irã.
“O Irã é o maior patrocinador estatal do terrorismo, e a China compra 90% da energia iraniana, financiando assim o maior patrocinador estatal do terrorismo”, disse Bessent em entrevista à Fox News.
Apesar da acusação, o secretário do Tesouro americano pediu na ocasião para que Pequim ajude na reabertura do Estreito de Ormuz.