
Considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos e outros países, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã divulgou nesta terça-feira (29) uma “carta aberta” para a população americana na qual pediu que esta vote contra aliados do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato presidencial, as chamadas midterms.
Nessas eleições, marcadas para 3 de novembro, estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara federal e um terço do Senado.
Na carta, divulgada pela agência estatal Irna, a Guarda Revolucionária argumentou que “os Estados Unidos e Israel sofreram uma derrota esmagadora” e o Irã “alcançou uma vitória decisiva” na guerra iniciada em fevereiro, alegando que os dois primeiros países não atingiram os supostos objetivos de “mudança de regime e partição” da nação persa.
“Deus virá em auxílio do povo americano se ele decidir mudar de rumo. Felizmente, os americanos estão despertando para a verdade. Nos últimos dois anos, americanos participaram de inúmeras manifestações em cidades de todos os EUA para expressar sua indignação com as ações genocidas de Israel em Gaza. Além disso, os protestos ‘No Kings’ [‘Sem Reis’, manifestações contra Trump], que varreram os EUA no ano passado, representaram uma rejeição nacional às crescentes tendências autocráticas no governo americano”, acrescentou a carta, que amenizou a resposta violenta do regime islâmico aos protestos por democracia no Irã entre dezembro do ano passado e janeiro de 2026.
A Guarda Revolucionária alegou que agentes da CIA e do Mossad se infiltraram nestes protestos e os transformaram em “confrontos violentos”, que resultaram no “martírio de mais de 2,3 mil iranianos inocentes”.
A ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRANA), com sede nos Estados Unidos, apontou que o número de vítimas foi bem maior: ao longo dos primeiros 50 dias desses protestos, pelo menos 7 mil pessoas foram mortas.
Na carta, a Guarda Revolucionária do Irã mencionou pesquisas que indicam que o Partido Republicano, de Trump, pode perder para a oposição democrata a maioria no Congresso americano.
“Outra tendência positiva apontada pelas pesquisas é que mesmo muitos americanos que votaram em Trump em 2024 agora se arrependem de sua escolha. Ao observarem as políticas e ações desastrosas da administração Trump, eles mostram-se profundamente céticos quanto ao caminho que seu país está trilhando e desejam ver uma mudança fundamental de direção. Essa mudança de postura é particularmente evidente em relação à decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã”, alegou.
Em seguida, a corporação fez um apelo direto relacionado às midterms. “São vocês que, com seus votos, dão poder ao governo e permitem que ele faça o que faz. Embora os políticos americanos frequentemente conquistem seus votos por meio de enganação e falsas promessas — como Trump fez —, vocês podem mudar a composição do governo se aplicarem critérios de boa liderança ao escolherem as pessoas para os cargos públicos”, escreveu a Guarda Revolucionária.
A corporação fez uma diferenciação entre o governo americano e a população do país, ao afirmar que “os Estados Unidos da América são uma grande nação” e que as duas nações podem “viver juntas em coexistência pacífica”.
“Removam do poder os políticos malignos, enganadores e violentos responsáveis pela situação atual da América. Confiem a condução dos assuntos públicos aos sábios, não aos astutos. Certifiquem-se de que seus políticos compreendam que o mundo mudou”, afirmou.
O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, designou a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e outras forças de inteligência militar e cibersegurança para proteger os sistemas eleitorais do país durante as midterms.
A instrução foi feita por meio de um memorando do último dia 22, que foi divulgado na segunda-feira (28).
A norma de Hegseth instruiu autoridades de inteligência da defesa a mobilizarem todos os recursos “para defender nossa infraestrutura eleitoral contra influência estrangeira maliciosa e garantir que todo eleitor elegível possa votar livre de intimidação, coerção ou medo por parte de estrangeiros”.