Governo Macron acusa extrema esquerda de explorar protestos estudantis violentos na França

O governo da França, liderado pelo presidente Emmanuel Macron, acusou setores da extrema esquerda de tentar explorar a onda de protestos estudantis que se espalhou pelo país e provocou confrontos com a polícia, incêndios e danos em dezenas de escolas. Mais de 700 instituições de ensino sofreram algum tipo de interrupção devido às greves nesta sexta-feira (2).

Somente na região de Paris, autoridades disseram que 55 escolas registraram episódios de violência, confrontos ou danos nesta sexta-feira. Três prédios escolares foram incendiados. Os protestos começaram há cerca de dez dias na região de Paris, com estudantes reclamando de salas superlotadas, falta de professores, prédios deteriorados e outras condições enfrentadas nas escolas. Desde então, o movimento se espalhou pelo país e passou a registrar fortes confrontos com as forças de segurança.

Além da região de Paris, houve episódios de violência em diversas outras cidades francesas nesta sexta. Em Estrasburgo, a polícia usou gás lacrimogêneo para conter a violância dos protestos. Em Marselha, fogos de artifício foram lançados contra policiais pelos manifestantes, enquanto em Rennes, participantes dos protestos locais incendiaram lixeiras.

O ministro da Educação da França, Édouard Geffray, afirmou que o movimento mudou de natureza depois da entrada de grupos violentos. Segundo ele, a mobilização foi “tomada como refém” por esses grupos. O governo também passou a apontar uma possível atuação política por trás de parte da mobilização. Informações apresentadas durante uma reunião de crise do governo francês nesta quinta-feira (1º) indicaram que serviços de inteligência atribuem a políticos do França Insubmissa (LFI), partido da esquerda radical liderado por Jean-Luc Mélenchon, participação no início da mobilização.