O Flamengo terá o retorno de Jorginho e o apoio do Maracanã lotado para tentar alcançar a sexta final de Copa Libertadores de sua história. Depois do empate por 0 a 0 na Argentina, o time carioca recebe o Estudiantes nesta quinta-feira (22), às 21h30, pelo jogo de volta da semifinal. A classificação exige uma vitória por qualquer placar, porque um novo empate leva a disputa diretamente aos pênaltis, sem prorrogação.
O estádio virou trunfo, porque os 70 mil ingressos foram vendidos, mesmo com preços elevados, variando entre R$ 400 e R$ 2.500. As torcidas organizadas estão se movimentando desde terça-feira à noite, logo após o jogo do Vasco pela Copa Sul-Americana. A estratégia é ocupar a parte inferior da arquibancada para “elevar” a temperatura e formar um verdadeiro “caldeirão rubro-negro”.
O confronto reúne dois clubes com quatro títulos continentais e deixa em aberto a possibilidade de outra decisão inteiramente brasileira, porque Palmeiras e Fluminense fizeram a outra semifinal.
O Flamengo chega ao compromisso embalado pela vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, no domingo, na Fonte Nova. O resultado levou o time aos 67 pontos e o manteve na liderança isolada do Campeonato Brasileiro, um ponto à frente do Palmeiras.
Agora, o desafio é transportar a produção ofensiva apresentada em Salvador para uma eliminatória que começou com dificuldades na criação. O meio-campo ainda sente, visivelmente, a ausência do meia uruguaio Arrascaeta, lesionado.
A principal novidade em relação ao jogo de ida está no meio-campo. Jorginho cumpriu suspensão em La Plata, pela expulsão diante do Independiente del Valle, nas quartas de final, e volta a ficar à disposição. Sua presença oferece ao técnico Leonardo Jardim uma alternativa para melhorar a saída de bola e a conexão com os jogadores de ataque.
O volante já participou da vitória sobre o Bahia e abriu o placar de pênalti. Com ele ao lado de Erick Pulgar, o meia Lucas Paquetá ganha liberdade para atuar mais perto da área, sem precisar recuar constantemente para organizar as primeiras ações ou até mesmo auxiliar na marcação.
Arrascaeta, por sua vez, não deve retornar neste confronto. O uruguaio se recupera de uma cirurgia no punho esquerdo e voltou a realizar atividades com bola, mas ainda passa pelo processo de reintegração. Sua ausência mantém sobre Paquetá e Carrascal uma parcela importante da responsabilidade pela criação de jogadas.
Jardim também avalia a composição do ataque. Bruno Henrique começou a partida na Argentina, enquanto Pedro foi titular diante do Bahia. A escolha interfere na maneira de enfrentar a defesa adversária: o primeiro oferece movimentação e ataques aos espaços; o segundo, presença de área e uma referência para as combinações ofensivas.
A atuação em La Plata deixou um alerta. O Flamengo terminou o primeiro confronto sem acertar uma finalização na direção do gol de Fernando Muslera. Embora tenha preservado o empate fora de casa, pouco ameaçou uma defesa que conseguiu limitar seus principais articuladores.
O banco de reservas pode ter a volta do lateral-esquerdo Ayrton Lucas, recuperado de lesão muscular na região posterior da coxa direita, e do volante Saúl, que ainda sente dores na região posterior da perna esquerda após levar uma pancada no primeiro jogo.
Do lado do Estudiantes, Alexander Medina recebeu uma novidade para montar a defesa dos argentinos. O Tribunal Arbitral do Esporte autorizou a inscrição de Marcos Rojo, que havia sido impedido pela Conmebol de disputar o primeiro jogo por uma controvérsia relacionada ao prazo de seu registro.
A liberação amplia as possibilidades do treinador, mas não representa confirmação de titularidade. Rojo passa a disputar espaço em um setor que conseguiu conter o ataque rubro-negro no jogo de ida e terá de enfrentar, no Rio, uma pressão diferente, muito mais intensa.
Na frente, Guido Carrillo é uma das principais referências. O centroavante já marcou contra o Flamengo em encontros anteriores e oferece uma opção para os cruzamentos e para a sustentação das jogadas ofensivas. Tiago Palacios e Baltasar Rodríguez participam da articulação de uma equipe que precisa equilibrar a proteção a Muslera com a capacidade de ameaçar Rossi.
Esta será a quarta partida entre Flamengo e Estudiantes somente na edição atual. Na fase de grupos, houve empate por 1 a 1 em La Plata e vitória rubro-negra por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Pedro. Os cariocas terminaram na liderança da chave, com 16 pontos, enquanto os argentinos avançaram em segundo, com nove.
O histórico recente também inclui o confronto das quartas de final de 2025. Naquela ocasião, o Flamengo avançou nos pênaltis, com duas defesas de Rossi na Argentina.
Ficha técnica
FLAMENGO X ESTUDIANTES
FLAMENGO: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Lucas Paquetá; Carrascal, Pedro e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.
ESTUDIANTES: Muslera; Mancuso, Santiago Núñez, Tomás Palacios (González Pírez ou Marcos Rojo) e Benedetti; Piovi e Alexis Castro; Tiago Palacios, Baltasar Rodríguez e Tobio Burgos (Cetré); Carrillo. Técnico: Alexander Medina.
Árbitro: Gustavo Tejera (Uruguai).
Horário: 21h30 (de Brasília).
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).
