Em carta a Flávio Bolsonaro, Rubio sinaliza cooperação

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual abordou a recente designação dos grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e as novas tarifas que um órgão do governo Donald Trump sugeriu que sejam aplicadas a importações do Brasil.

Na carta, a cujo conteúdo a Gazeta do Povo teve acesso, o chefe da diplomacia americana agradeceu por uma mensagem enviada pelo senador e pela visita a Trump em Washington, em maio.

“Compartilho de sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental”, escreveu Rubio, que disse agradecer “profundamente” pelo apoio de Flávio à decisão de designar o CV e o PCC como organizações terroristas.

“Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras e de tráfico de drogas e armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional”, argumentou o secretário de Estado americano.

Em seguida, Rubio tratou na carta da recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão do governo americano, de que seja aplicada uma sobretaxa de 25% nas importações de produtos brasileiros, sob o argumento de práticas comerciais injustas.

O USTR também sugeriu este mês outra sobretaxa de 12,5% ao Brasil e outros 59 países, alegando falhas no combate a mercadorias produzidas com trabalho forçado e escravo.

“O embaixador [Jamieson] Greer [representante comercial dos Estados Unidos] deixou claro que continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação [que resultou na sugestão das tarifas de 25%]. Elas dizem respeito ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal”, afirmou Rubio.

O secretário de Estado americano citou os prazos para manifestação no caso; esta semana, Flávio protocolou pedido para participar de audiência marcada para 6 de julho.

“Os Estados Unidos mantêm-se firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero e economicamente estável. Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de constituir uma equipe de transição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e benéfica de comércio e investimentos”, escreveu Rubio.

Ao final da carta, o secretário de Estado disse “aguardar com expectativa a continuidade do nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre as nossas duas grandes nações”. “Que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil”, finalizou.

Fonte: Gazeta do Povo

Últimas notícias

... O conteúdo do CN12 está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente do CN12 vivo e acessível a todos. A republicação é gratuita desde que citada a fonte.