
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em queda de 0,25% nesta terça-feira (25), cotado a R$ 5,139, com investidores avaliando as promessas de sanções econômicas dos Estados Unidos ao Irã e a países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica.
Adotando termos vagos, o governo Donald Trump chamou a operação de “Dia D Econômico”, sem impor medidas imediatas de retaliação ao país persa. Esse cenário impôs cautela aos mercados globais, com os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq apresentando instabilidade ao longo do dia. O índice do dólar, que o compara a uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,11%, a 98,89.
No Brasil, o Ibovespa seguiu a volatilidade externa pela manhã, mas descolou à tarde e fechou em forte alta de 1,55%, a 174.576 pontos. O índice foi amparado pela alta do setor bancário, com o Banco do Brasil em disparada de mais de 5%, e pela Vale (2%), com a queda de mais de 13% da Braskem entre os destaques negativos.
Petrobras também ficou no vermelho, em queda de mais de 2% na esteira da desvalorização do petróleo no exterior. O petróleo Brent registrou queda de 4,95%, cotado a US$ 87,61 o barril.
“Apesar desse peso negativo considerável vindo do setor de energia, o mercado encontrou suporte e liquidez suficientes em outras grandes companhias, com destaque para um fluxo comprador bastante agressivo direcionado à Vale e ao setor bancário. Essa força compensatória tracionou os negócios, garantindo que o índice sustentasse ganhos na reta final da tarde e emendasse seu quarto pregão consecutivo de alta”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad.
O foco dos mercados globais seguiu na geopolítica. A operação de Washington contra Teerã, segundo o governo Trump, deverá ampliar as sanções contra setores essenciais à economia do país persa, como ativos digitais, tecnologia, aviação e transporte marítimo.
“Ninguém deu mais chances à República Islâmica do Irã de chegar a um acordo do que eu. Tragicamente para eles, eles não aproveitaram. Por isso, estou anunciando a operação econômica mais esmagadora jamais empreendida contra qualquer país”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social.
“Será guerra econômica e isolamento em um nível sem precedentes”, prosseguiu o republicano. “A Marinha deles já era, a Força Aérea foi destruída, suas fábricas militares são escombros, a moeda deles não vale nada, e o país está por um fio.”
Não há indicativos de que a economia iraniana esteja próxima de um colapso completo ou de uma crise muito maior do que a que já havia antes da guerra, causada por anos de pesadas sanções dos EUA e da Europa.
“Também declaro hoje que qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam salvação econômica ao Irã sofrerá imensas consequências econômicas”, ameaçou Trump.
Não está claro se ele se refere a aliados mais próximos do Irã, como a Rússia e a China, ou a parceiros comerciais da República Islâmica em geral, grupo que inclui o Brasil -que exporta, principalmente, milho e soja ao país persa- e também aliados dos EUA, como Turquia, Índia e Paquistão.
O anúncio do “Dia D Econômico” foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também não especificou as medidas nem os prazos para elas. Ele não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos.
“O Tesouro mapeou todo o nó, todo o facilitador e toda a rede que o Irã tem usado para contrabandear petróleo e evadir sanções”, afirmou Bessent. “Ninguém deveria testar nossa determinação.”
O mercado ainda aguarda o PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal), indicador de inflação preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) para definir a taxa de juros. A ser divulgado na quarta-feira, o índice poderá trazer maior clareza sobre as pressões dos preços na economia, depois que um dado de inflação ao consumidor em linha com as expectativas neste mês moderou as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Fed em setembro.
Participantes do mercado estão precificando um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, de acordo com dados da LSEG.
No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de agosto também será divulgado na quarta e será importante para sinalizar os próximos passos da trajetória da Selic (taxa básica de juros).
Já no noticiário corporativo, destaque para a Braskem, cujo pedido de recuperação extrajudicial da véspera levou a empresa a recuar mais de 6% no pregão. O processo é para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a aproximadamente R$ 56,2 bilhões.
Na ponta positiva, o setor bancário teve forte alta. Banco do Brasil avançou 5%, seguido por BTG (3%), Bradesco (3%) e Itaú (1,8%). Santander subiu 0,13%, descolando da tendência.
Vale avançou 2%, em linha com o movimento do setor minerador no exterior, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. O presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira que a Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará.
Já os juros futuros operaram em baixa, acompanhando o viés negativo dos rendimentos dos treasuries, títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos, no exterior.
A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,80% no final da tarde, ante o ajuste de 13,88% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,41%, ante 14,50%.
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