Dólar cai e Bolsa sobe após vitória democrata nos EUA; mercado aguarda decisão do Copom

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta quarta-feira (4), após os democratas conquistarem a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos, em derrota para o presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato (midterms). Às 14h19, a moeda tinha queda de 0,25%, cotada a R$ 5,472.

Na véspera, o dólar havia fechado em alta de 0,70%, a R$ 5,486, no maior patamar desde dezembro de 2025. O movimento acompanha a desvalorização da moeda americana no mercado internacional. No mesmo horário, o DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,35%.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em alta de 1,29%, aos 167.671 pontos, após seis dias consecutivos de queda. O pregão ocorre no dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros. A expectativa majoritária do mercado é de manutenção da Selic em 13,75% ao ano.

Na mesma linha, os juros futuros operam em queda. Às 14h21, os contratos para janeiro de 2028 recuavam 0,20 ponto percentual, a 14,425%, enquanto os vencimentos para janeiro de 2035 caíam 0,35 ponto percentual, a 15,130%.

Pesquisa do BTG Pactual com 54 participantes do mercado financeiro mostra que 77,8% esperam que o BC mantenha os juros no patamar atual. Segundo o levantamento, para 81,5% dos entrevistados, essa seria a decisão mais prudente. Levantamento da Bloomberg com 31 estimativas de economistas também aponta a expectativa de manutenção, embora cinco participantes considerem possível um novo corte, para 13,50% ao ano.

Um relatório pré-Copom da XP, feito com 20 gestoras com mandatos multimercados macro, também aponta predominância da expectativa de manutenção. A pesquisa aponta que 75% dos gestores esperam que a taxa permaneça no patamar atual.

O levantamento destaca o trade eleitoral, marcado pela reprecificação dos ativos locais, que aconteceu entre o primeiro e o segundo turno. O movimento de valorização construído após o primeiro turno foi revertido em um único pregão. Em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,9%, o dólar avançou cerca de 8% e a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base. Diante do novo patamar de preços, os gestores reduziram de forma relevante suas exposições ao chamado kit Brasil.

No primeiro Boletim Focus divulgado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na terça-feira (3), os economistas elevaram as projeções para o IPCA de 2026 e para a Selic no fim do ano. A estimativa de inflação para 2027 também subiu, para 4,76%, acima do teto da meta.

O reajuste dos economistas reflete a incerteza do mercado sobre a condução da política fiscal pelo governo e seus possíveis efeitos sobre a trajetória da dívida pública e os juros. O mercado aguarda indicações mais claras sobre as medidas econômicas que o Executivo pretende adotar.

A decisão do Copom sobre a taxa báscia de juros será divulgada após as 18h.

No exterior, os títulos do Tesouro americano (Treasuries) de dez e 30 anos oscilavam, em meio à repercussão do resultado das eleições legislativas. Às 14h23, os papéis de dez anos tinham queda de 1,29%, com rendimento de 4,898, enquanto os de 30 anos recuavam 0,66%, com rendimento de 5,291%.

O petróleo Brent, referência mundial da commodity, operava em queda de 8,77%, cotado a US$ 94,51.

Na véspera, a Bolsa encerrou em queda de 1,42%, aos 165.528 pontos, no menor valor de fechamento desde janeiro. O pregão foi marcado pela repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária.

A possibilidade de adoção de novas diretrizes para a política econômica do governo Lula aumentou a preocupação de analistas. O Executivo negou que haja uma reunião prevista entre Lula e o economista. Três integrantes da equipe econômica afirmaram que existe uma tentativa de agendar um encontro do presidente com economistas que possam apresentar diferentes visões sobre como solucionar o problema fiscal. Ainda não há, porém, previsão formal para essa reunião, nem uma agenda privada entre Lula e Lara Resende.

Lara Resende defende há anos que o problema fiscal do Brasil está nos juros, e não nos gastos primários do governo, que excluem o pagamento de juros da dívida. Ele retomou a tese em artigo publicado no fim de setembro. Segundo o economista, a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem a um ritmo que a produção de riqueza do país não consegue acompanhar. Para ele, esse desequilíbrio explica a trajetória da dívida pública brasileira.

A dívida bruta está hoje em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Como mostrou a Folha de S.Paulo, estabilizar essa conta exigiria um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos. Para Lara Resende, porém, a saída passa pela redução dos juros, por meio de uma espécie de “tabelamento” da Selic, hoje em 13,75% ao ano e em dois dígitos desde 2022.

A proposta do economista envolveria a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas conjuntas para um horizonte de quatro a cinco anos. O Banco Central se comprometeria a manter a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado em cerca de 5,5%. Como etapa inicial, a taxa seria reduzida gradualmente ao longo de 12 meses até 7,5%, com uma margem de segurança de dois pontos percentuais em relação ao PIB potencial.

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Mais informações: Notícias ao Minuto

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