
Cuba pode registrar neste domingo (5) o maior apagão de sua história recente. Segundo projeção da estatal Unión Eléctrica (UNE), responsável pelo sistema elétrico da ilha, até 72% do território cubano poderá ficar simultaneamente sem energia elétrica durante o horário de maior consumo.
Caso a previsão se confirme, o país superará o recorde registrado na última sexta-feira, quando um corte de energia atingiu cerca de 71% da ilha no momento de pico da demanda. A crise elétrica voltou a se agravar após uma nova paralisação da usina termelétrica Antonio Guiteras, considerada a principal unidade geradora de energia de Cuba. Esta já é a 17ª interrupção da usina apenas neste ano.
Segundo o relatório diário da UNE, divulgado pela agência EFE, o sistema elétrico permaneceu sob forte pressão durante as últimas 24 horas, incluindo toda a madrugada, devido à insuficiência de capacidade de geração.
Para este domingo, a empresa estima uma capacidade de geração de apenas 1.000 megawatts (MW), enquanto a demanda máxima prevista chega a 3.100 MW. O déficit entre oferta e consumo deve atingir 2.200 MW, obrigando o operador do sistema a desligar cerca de 2.230 MW da carga para evitar um colapso descontrolado da rede elétrica.
O governo cubano reconhece que a situação do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) é “aguda”, “crítica” e “extremamente tensa”. Em algumas regiões, incluindo partes de Havana, os apagões já ultrapassam 20 horas por dia.
Crise energética se agravou em 2026
A crise energética cubana se intensificou desde meados de 2024 e, segundo a ditadura cubana, piorou ainda mais a partir de janeiro deste ano, após o endurecimento das restrições ao fornecimento de petróleo pelos Estados Unidos. No final de maio, moradores saíram às ruas em Cuba para protestar contra os apagões que tem atingido a ilha em meio ao agravamento da crise energética.
O governo de Havana classifica o cerco petrolífero imposto por Washington como uma medida “genocida” e acusa os Estados Unidos de estarem “asfixiando” economicamente o país. Cuba necessita de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para atender sua demanda energética, mas apenas cerca de 40 mil barris são produzidos internamente.
Especialistas independentes, entretanto, apontam que a crise resulta da combinação de diversos fatores, entre eles o subfinanciamento crônico do setor elétrico, a obsolescência da infraestrutura de geração e distribuição de energia e as dificuldades de abastecimento de combustível agravadas pelas sanções norte-americanas.
Estudos independentes estimam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para recuperar integralmente o sistema elétrico cubano e restabelecer um fornecimento estável de energia no país.