
O governo de Donald Trump anunciou nesta semana o chamado “Dia D econômico”, uma estratégia agressiva para asfixiar as finanças do Irã. A medida foca em sanções secundárias que, embora não mirem o Brasil diretamente, podem punir empresas brasileiras que negociam com os iranianos. O objetivo americano é forçar aliados e parceiros comerciais a cortarem laços econômicos com o regime de Teerã.
Como funcionam as sanções secundárias anunciadas pelos Estados Unidos?
As sanções secundárias são uma ferramenta de pressão onde os EUA punem não apenas o país alvo, mas também qualquer empresa ou banco de outros países que continue fazendo negócios com ele. Se uma empresa brasileira vender para o Irã, ela pode ser proibida de usar o sistema financeiro americano ou de realizar transações em dólares. Isso cria o chamado ‘autossancionamento’, onde empresas privadas, com medo de perderem acesso ao mercado dos Estados Unidos, decidem por conta própria interromper suas exportações ou serviços para os iranianos, mesmo que não haja uma proibição direta do governo local.
Quais setores da economia do Brasil correm mais riscos com essa medida?
O agronegócio é o setor mais exposto devido à forte relação comercial. O Irã é um dos maiores compradores de milho, carne bovina e soja do Brasil. Em 2025, por exemplo, os iranianos compraram mais de 22% de todo o milho exportado pelo país. Embora alimentos geralmente recebam exceções em regimes de sanções, o problema real é a logística e o pagamento. Se os grandes bancos mundiais se recusarem a processar o dinheiro vindo do Irã e as seguradoras não cobrirem os navios que vão para lá, o comércio se torna financeiramente inviável para os produtores e exportadores brasileiros.
Quais são as áreas específicas que o governo Trump pretende atingir?
O Tesouro americano definiu cinco setores críticos para a sua guerra econômica: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. A inclusão do transporte marítimo é especialmente preocupante para o Brasil, pois afeta diretamente a cadeia logística de exportação de grãos. Além disso, as punições envolvem a restrição total de acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos. Na prática, qualquer entidade que facilite o fluxo de capital para Teerã nessas áreas pode ser banida de operar com a moeda americana, o que é fatal para grandes empresas globais de navegação ou bancos de grande porte.
Qual é o dilema diplomático enfrentado pelo Brasil nesse cenário?
O Brasil vive um impasse político delicado, pois o Irã faz parte dos Brics desde 2024, bloco que Washington vê com desconfiança. Historicamente, o governo brasileiro rejeita sanções unilaterais que não tenham aprovação da ONU. No entanto, o governo Lula precisará equilibrar a neutralidade diplomática com o pragmatismo econômico. Enquanto Brasília pode manter o apoio político a Teerã, bancos e tradings privadas tendem a seguir as normas americanas para evitar prejuízos. Isso pode isolar o governo em sua postura política, enquanto o setor produtivo nacional se afasta do Irã por segurança financeira.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.