Carros híbridos ganham nova chance junto às montadoras; entenda

Lembra-se quando todas as montadoras falavam em uma virada 100% elétrica até a virada da década de 2030? Pois é, os planos mudaram. Antes encabeçada pela União Europeia, as novas regulamentações acabaram ficando mais flexíveis e, com elas, a demanda nunca correspondeu como se achava que faria.

Essa mudança de postura ganhou força após a flexibilização das metas de emissões na Europa. A ideia de banir motores a combustão até 2035 foi atenuada no fim do ano passado, reduzindo o corte de emissões de 100% para 90%. Essa brecha garantiu a sobrevida de híbridos plug-in e elétricos com um motor a combustão como gerador, os REEVs.

Dos EUA ao Japão

O recuo mais pesado vem da Honda, que registrou seu primeiro prejuízo operacional desde 1957. A fabricante fechou o balanço recente com perdas de US$ 2,59 bilhões após acumular baixas contábeis de US$ 10 bilhões em projetos de elétricos puros que simplesmente não vingaram no mercado global.

Por isso, a marca japonesa decidiu mudar de estratégia: sai a meta de ter uma gama totalmente elétrica até 2040 e entra o desenvolvimento de 15 novos modelos híbridos – dentre eles, há modelos de grande volume, como o próximo HR-V – até 2030. O CEO Toshihiro Mibe explicou a situação de forma bastante direta:

“Precisamos estancar a sangria o mais rápido possível e abrir caminho para o crescimento futuro”.

A Mazda seguiu o mesmo rumo e confirmou o desenvolvimento diário de três novos modelos híbridos e a nova geração do SUV CX-5 com tecnologia full hybrid. Na Alemanha, mesmo que a Volkswagen tenha lançado o ID.Polo – e esteja apostando no retorno de nomes conhecidos em seus novos elétricos -, o grupo enfrenta grandes atrasos crônicos no desenvolvimento do Golf elétrico.



Ford prepara uma picape elétrica de baixo custo que anda como um Mustang

Foto de: Motor1 Italia visual (AI-assisted)

A volta do diesel e o foco multienergia

Nos Estados Unidos, a Ford prepara uma picape elétrica de baixo custo para conter o avanço chinês. Porém, para garantir o caixa, a marca mantém investimentos em motores térmicos para mercados emergentes.

Já a Stellantis, grupo dono de marcas como Peugeot, Jeep e Fiat, tomou uma medida drástica na Europa: vai trazer o motor diesel de volta para modelos como Peugeot 308, Opel Astra e até para o SUV Alfa Romeo Tonale.

A estratégia do grupo, da japonesa Toyota e também da alemã BMW se apoia no conceito multienergia. As três criaram bases flexíveis que permitem produzir, na mesma linha, carros a combustão, híbridos leves, plenos, plug-in ou elétricos. Essa flexibilidade dá a elas uma enorme vantagem competitiva sobre rivais que apostaram tudo nos elétricos puros.

Até o mercado de luxo muda de ideia


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A onda de sobriedade atingiu até as marcas de alto luxo e superesportivos. A Porsche garantiu que continuará produzindo motores a gasolina após 2030, incluindo o novo Macan sem motor elétrico e um inédito SUV de sete lugares. A Rolls-Royce diminuiu o ritmo de eletrificação para proteger seu icônico motor V12, e a Bentley limitou sua meta para apenas um modelo elétrico até o fim da década.

Por fim, as alemãs Mercedes-Benz e a já citada BMW também renovaram seus votos com os motores a combustão. A primeira planeja mais de 30 novidades até 2027, sendo a grande maioria composta por modelos híbridos ou térmicos puros. A BMW, por sua vez, lançará seis novos carros ao longo do próximo ano, mantendo o foco dividido entre gasolina, diesel, plug-in e elétricos.

Fonte: UOL

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