
O governo de Rodrigo Paz informou nesta segunda-feira (3) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil, disputam território em um corredor na fronteira com a Bolívia, usado para o contrabando de drogas para o exterior.
O ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, denunciou o avanço do narcotráfico à imprensa na região leste de Santa Cruz, após comparecer ao velório de um agente de inteligência morto a tiros por desconhecidos que emboscaram uma patrulha que investigava outros homicídios no município de San Matías, próximo à fronteira com o Brasil.
“Há duas grandes organizações criminosas brasileiras em conflito na Bolívia, disputando território em nosso país para ver quem controla o narcotráfico. O Comando Vermelho e o PCC estão atualmente em guerra por um corredor por onde os narcotraficantes contrabandeiam drogas para o exterior”, declarou.
Segundo Oviedo, a morte do policial ocorreu “devido a uma fragilidade estrutural” dentro do Estado e “após 20 anos de infiltração e consolidação do narcotráfico” na Bolívia.
O ministro disse ainda que “isso não será tolerado” e que esses “poderosos clãs criminosos que foram classificados (…) como narcoterroristas” não terão permissão para se estabelecer na Bolívia, aludindo ao fato de que, em maio, os EUA designaram o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras.
O governo Paz informou que manteve contato com representantes da Polícia Federal brasileira e que acordou com a instituição a criação de um escritório permanente em território boliviano. De acordo com o ministro, a Polícia Nacional Boliviana também terá presença no país vizinho “para garantir um fluxo contínuo de inteligência e informações”.
A administração conservadora também anunciou o plano “Fronteiras Seguras”, que será lançado em duas semanas, começando pelo Brasil.
Como parte dessa iniciativa, serão instalados mecanismos de controle e repressão ao crime em cidades fronteiriças como Cobija, na região norte de Pando; Guayaramerín, no departamento amazônico de Beni; e San Matías e Puerto Suárez, em Santa Cruz, considerados pontos de saída de drogas e de entrada de criminosos.
Desde o final de semana, os militares vêm realizando patrulhas preventivas em San Matías, onde na quarta-feira passada um grupo de pessoas, supostamente brasileiros, assassinou a tiros quatro trabalhadores de uma fazenda de gado.
Um dia depois, agentes de inteligência que se dirigiam ao local para investigar o incidente foram emboscados por indivíduos armados, resultando na morte de um policial e ferimentos em outro.
Os criminosos incendiaram o veículo em que os policiais estavam e levaram o corpo, que foi encontrado no sábado em outra fazenda da região, perto de uma pista de pouso clandestina de onde se presume que as drogas eram enviadas por via aérea para o Brasil.