
O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández (2019-2023) entrou na briga entre Brasil e Argentina neste final de semana, criticando a postura do presidente Javier Milei durante sua passagem por São Paulo, onde participou da convenção partidária do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Por meio de uma publicação no X, o ex-governante aliado de Cristina Kirchner disse que “Milei foi ao Brasil gritar como um energúmeno exigindo ver um golpista preso [uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro]”.
Fernández comparou o cenário a uma visita que fez ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sua prisão sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro descoberta pela Operação Lava Jato.
“Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um homem inocente. Hoje, Lula é presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe”, defendeu o antecessor de Milei na Casa Rosada.
Ele prosseguiu defendendo o governo petista, dizendo que insultar o presidente de uma nação irmã e principal parceiro comercial seria “imperdoável”.
Os governos de Brasil e Argentina se envolveram em uma das maiores crises diplomáticas da história durante o final de semana, depois que o presidente Javier Milei insultou Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na convenção nacional do PL, em São Paulo.
Durante o evento político, realizado no último sábado (25), o governante argentino se referiu a Moraes como “lixo careca” e o criticou por não ter permitido que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Também chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”.
As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e chamou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para pedir explicações sobre a fala de Milei.
No mesmo dia em que houve a mobilização diplomática por parte do Brasil, Milei concedeu uma entrevista à imprensa argentina, ocasião na qual disse que o governo Lula teria financiado uma campanha “anti-Argentina”.
O ex-governante argentino e o petista mantém uma amizade de longa data e são conhecidos por trocar apoio em momentos de crise como a atual. Fernández criou laços com o líder brasileiro ainda durante seu primeiro mandato, quando era chefe de gabinete do então presidente argentino Nestor Kirchner, entre 2003 e 2007.