Vivemos na era da informação, da tecnologia de ponta e do progresso espacial. Mas, paradoxalmente, as mulheres brasileiras vivem a era do medo. Os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Governo Federal confirmam um cenário desolador: o Brasil atingiu o ápice histórico de violência de gênero, com mais de 1.500 mulheres vítimas de feminicídio em um único ano. A mídia é brutal e matemática — quatro mulheres são assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres. Não se trata apenas de uma estatística fria. São mães que deixam órfãos, filhas que não voltam para casa e histórias de vida interrompidas abruptamente dentro de seus próprios lares, visto que, em mais de 80% dos casos, o algoz é o próprio companheiro ou ex-companheiro.
O Brasil possui uma das legislações mais severas do mundo. O sofrimento penal elevado o tempo máximo de prisão, criamos delegacias especializadas e patrulhas Maria da Penha. Essas medidas são fundamentais e salvam vidas diariamente, mas os registros sucessivos nos provam um ponto incômodo: a polícia e a lei chegam quando o sangue já foi derramado. A segurança pública atua no sintoma, não na causa. O crime de ódio contra a mulher não nasce do nada; ele é o estágio final de um ciclo que começa na piada machista, passa pelo controle psicológico, evolui para o empurrão e termina no gatilho ou na lâmina. Punir o agressor é um dever de justiça, mas prevenir o nascimento do agressor é o verdadeiro desafio do nosso tempo.
Prender o crime reconforta a sociedade hoje, mas educar a criança e transformar a sociedade de amanhã. Se a raiz da violência é cultural — baseada no sentimento arcaico de posse e de superioridade —, a resposta precisa ser pedagógica. Nunca foi tão urgente desenhar e aplicar uma política nacional de educação específica para o respeito e a igualdade nas escolas brasileiras, tratando a educação como a nossa principal e mais eficaz ferramenta de segurança pública.


