Marvão vigia Alentejo com castelo, museu e Hotel Museu – 01/09/2026 – Turismo

A quase duas horas de Évora e rodeado de restaurantes e outros lugares para se provar peixes, vinhos e azeites, Marvão é um refúgio dentro do Alentejo, que, por sua vez, já é um refúgio para o frenesi na metrópole portuguesa.

Protegida por muralhas no topo da Serra do Sapoio, a vila reúne cerca de cem moradores —quase 3% dos habitantes do Conselho do Marvão, que contempla todo o território administrativo da região—, alguns poucos hotéis e um grandioso castelo de onde é possível ver quilômetros de vilas e cidades.

Aberto há cinco meses, o Hotel Museu se destaca entre as hospedarias, reunindo um restaurante de luxo, com cardápio assinado por Daniel Almeida —com 23 anos, ele sonha em ser o português mais jovem a ter uma estrela Michelin— e um museu próprio sobre a história das armas, da pedra até a pólvora —ao andar nele, é possível ver estruturas de diferentes épocas.

São 12 quartos, cada um com sua especificidade, espalhados pelo que antes foi o edifício da janela manuelina, que foi construído no século 16 e ficou abandonado por anos. A tal janela, aliás, que permite vislumbrar corredores com pequenas casas e lojas, é um desses vestígios presentes nos quartos —as diárias partem de cerca de R$ 2.000.

Empresário e fundador do hotel, Jorge Rosado explica que não quis interferir no passado. O objetivo foi desenvolver o projeto a partir da arquitetura ali presente, desenhando quartos e salas de lazer a partir de detalhes escondidos nos três andares do prédio.

Ao cair da noite, vale a pena andar até o jardim do castelo, a poucos metros da hospedagem, e ver o céu estrelado. Para entrar no monumento —em frente ao qual há o Museu Municipal de Marvão, uma antiga igreja, com entradas a cerca de R$ 10, que une azulejos e obras de arte sacra—, entretanto, é necessário esperar o amanhecer.

Só durante o dia é possível pagar R$ 11 para visitar a cisterna e as muralhas do castelo, que vigia o Alentejo do alto da serra.

Isso, é claro, à exceção de ocasiões específicas, como as noites de observação de estrelas e o Festival Internacional de Música de Marvão, evento anual que ocorre na segunda metade de julho e ocupa espaços como o terraço do castelo com apresentações gratuitas de música clássica.

Outro evento que acontece quase na mesma época é o Periferias, o Festival Internacional de Cinema de Marvão e Valência de Alcântara. Ao contemplar lugares que vão de Portugal à Espanha, a ideia é organizar sessões, com filmes dedicados a pautas como os direitos humanos e a ecologia, em espaços que não possuem salas de cinema.

Daí surgem as exibições gratuitas e ao ar livre em castelos, ruínas, pontes e ruas medievais, capazes de reunir pessoas de todas as cidades —um exemplo são as sessões que acontecem dentro de brinquedos infláveis, que estão entre as favoritas para a criançada.

São épocas de dinamismo (embora sem grandes interferências nos índices de turismo) em que Marvão abandona os fantasmas daqueles que abandonaram a vila, sem ter de abrir mão de uma rotina mais livre e pacífica.

O jornalista viajou a convite da TAP e do Rock in Rio

Fonte: Folha de São Paulo

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