Planejando uma viagem para Veneza? Nova York? Paris ou Londres? Deixa eu te indicar uns mapas que talvez mudarão seu itinerário. Dê uma pesquisada no Flickr, procure por “tourists versus locals” e você chega lá.
A primeira coisa que você vai ver são mapas de algumas das cidades mais procuradas pelos turistas, só que recheados de pontos azuis e vermelhos. Eles marcam os locais onde uma foto foi tirada: os azuis para fotos feitas por pessoas que moram na cidade, os vermelhos, por turistas.
Talvez você mesmo seja um desses pontos vermelhos… Já tirou fotos na Estátua da Liberdade, em Nova York? Nos canais de Veneza? Então você contribuiu para esses mapas!
No geral, o que vemos neles são duas manchas, ou ainda, dois registros: o da vida cotidiana (azul) e o dos roteiros dos turistas (vermelho). E você sabe muito bem de qual dessas manchas você faz parte.
E está tudo bem. Eu mesmo já fotografei incontáveis pontos turísticos mundo afora. Ademais, quem viaja para um destino desses tem quase a obrigação de ir a esses cartões-postais.
Mesmo assim, não resisto a perguntar: onde está o espaço para o acaso em suas viagens? Qual foi a última vez que você se deixou levar por sua intuição nas ruas de uma cidade que não conhecia?
Não tem sido fácil se soltar por aí. Cada vez mais os turistas parecem dependentes das indicações das redes sociais para saber por onde ir. E, de fato, os influenciadores de viagem tomaram a proporção de um grande negócio.
Uma reportagem recente do jornal Financial Times projeta que empresas do setor de viagens devem colocar US$ 2 bilhões em 2027 em marketing de mídia social —só nos Estados Unidos. E o gasto com influenciadores bateu mais de US$ 10 bilhões em 2025.
Em nome da transparência, este mesmo que vos escreve faz parte desse universo. Várias viagens que fiz nos últimos anos foram a convite de grandes redes de hotelaria ou órgãos de turismo internacionais.
Quando concluo uma viagem assim, procuro dividir com você, leitor, leitora, não apenas experiências previsíveis, mas um pouco do que descobri também por acaso. Muitos influenciadores que respeito fazem o mesmo.
O problema é quando essa turma fica batendo sempre nas mesmas teclas. O resultado disso são mapas cada vez mais vermelhos!
Vale a pena você dar uma olhada no tal Flickr, ideia de uma americana chamada Erica Fischer, e ousar pensar: e se eu fizesse uma viagem um pouco diferente da próxima vez?
Eu sei, eu sei. Somos turistas. Que mal tem em querer ir sempre aos lugares a que todo mundo vai? Mal nenhum, claro. A não ser voltar para casa para contar uma história que talvez não seja a mais original.
Não me entenda mal. Todo e qualquer roteiro que você quiser escolher é válido. O que acontece é que eu sou louco por mapas e, quando descobri a pesquisa de Fischer, num Instagram de um outro apaixonado por cartografia, @matt_forrest, pensei nessa provocação.
Sempre serei a favor de carimbar todos os clichês turísticos. Mesmo há pouco, em julho, na minha última passagem por Paris, eu estava lá, de frente para a Torre Eiffel, tentando capturar um ângulo original dela.
Mas que bom seria se, mesmo que fosse por alguns minutos, todos nós, viajantes, influenciadores ou não, pudéssemos ser apenas pontos azuis.
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