
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,37% nesta segunda-feira (3), cotado a R$ 5,087, em um pregão marcado pela repercussão do novo boletim Focus e pelas expectativas em torno de um possível acordo para reduzir as tensões no Oriente Médio.
Nesta semana, os investidores também acompanham a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que define a taxa básica de juros na quarta-feira (5).
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou próximo da estabilidade, com alta de 0,01%.
O Ibovespa encerrou o pregão em estabilidade, aos 178.000 pontos. Ao longo do dia, o desempenho do índice foi pressionado pelas ações da Vale e da Petrobras, empresas de maior peso em sua composição. Os papéis da petroleira recuaram 0,85%, cotados a R$ 43,05, enquanto os da mineradora caíram 2,14%, a R$ 74,64.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a forte queda do petróleo pressionou as ações da Petrobras e limitou um avanço mais consistente do Ibovespa. Para o especialista, a desvalorização da commodity melhora o humor dos mercados globais ao reduzir a percepção de risco geopolítico e aliviar as pressões inflacionárias, mas, ao mesmo tempo, pesa sobre os papéis da estatal.
Às 17h07, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 83,75, em queda de 7,07%.
O petróleo perdeu força após sinais de uma possível redução das tensões no Oriente Médio. Durante o fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país suspendeu novos ataques ao Irã em busca de um acordo rápido para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz.
Segundo Trump, o Irã e outros países da região solicitaram uma pausa nas ofensivas para concluir o acordo que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito e no “fim da ameaça nuclear iraniana”. A declaração foi publicada na rede Truth Social após uma ligação com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aliado dos EUA.
Nesta segunda, Trump afirmou ainda que “quer dar ao Irã todas as últimas chances antes da decapitação”, após dizer que o regime do país envia sinais dúbios e precisa escolher entre um acordo ou a “rendição total”.
Horas depois, o presidente americano disse que as negociações “estão ocorrendo” e defendeu que “esta é a última chance de eles assinarem um bom documento” de acordo. “Tomara que o Irã caia em si”, afirmou.
As declarações ocorreram após Teerã afirmar, mais cedo nesta segunda, que não há negociações em andamento com Washington, contradizendo as falas de Trump durante o fim de semana.
Em Wall Street, as principais bolsas encerraram o dia em alta, impulsionadas também pelos sinais de redução das tensões no Oriente Médio. O S&P 500 avançou1,49%, o Dow Jones subiu 1,32% e o Nasdaq ganhou 2,13%.
Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, afirma que, nos próximos dias, o mercado americano deve acompanhar de perto a divulgação de dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Além disso, a semana também será marcada por alguns balanços, com resultados da SpaceX, da Eli Lilly (fabricante do Mounjaro), além de outras grandes empresas dos setores de consumo, industrial e farmacêutico.
Na agenda doméstica, um dos destaques foi a divulgação do novo boletim Focus. Pela primeira vez desde março, os economistas reduziram a projeção para a taxa básica de juros ao fim deste ano. Agora, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,75%, uma queda de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento da semana passada.
Além disso, a projeção para a inflação em 2026 recuou de 5,12% para 5,03%.
“A combinação reforça a percepção de que o processo de desinflação continua em andamento e abre espaço para uma política monetária menos restritiva”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimento.
A especialista ressalta, porém, que a projeção para o PIB de 2026 permaneceu em 1,99%, enquanto a estimativa para 2027 foi revisada de 1,60% para 1,57%. “O mercado continua enxergando uma economia que resiste, mas ainda distante de um ciclo de expansão mais robusto”, diz.
Com a reunião do Copom marcada para esta quarta-feira (5), Olívia avalia que a revisão da projeção para a Selic no Focus reforça a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa, embora acompanhado de um discurso ainda cauteloso diante do cenário fiscal e eleitoral.
Ao longo da semana, os investidores também acompanham a temporada de balanços corporativos, que pode aumentar a volatilidade dos mercados. Entre os principais destaques estão os resultados de Itaú, Bradesco e Petrobras.
Com as novas perspectivas para o conflito no Oriente Médio, o mercado de juros futuros encerrou a sessão em queda. Às 17h15, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,805%, com recuo de 0,05 ponto percentual. Já o contrato para janeiro de 2035 fechou em 14,415%, com queda de 0,23 ponto percentual.
Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dez anos recuou 1,03%, para 4,68%.
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