A semana que se inicia traz uma notícia que, devido à Copa do Mundo de Futebol, corre o risco de passar despercebida, mas que é de grande importância no cenário mundial: o Reino Unido anunciou a proibição do uso de redes sociais por jovens menores de 16 anos.
Essa medida eleva o patamar das discussões sobre o papel das plataformas digitais no mundo, principalmente em relação à influência do uso dessas tecnologias entre crianças e jovens e suas consequências na saúde mental e no comportamento.
O primeiro país a obter notoriedade ao tomar tal atitude foi a Austrália. Lá, após um longo período de análises conduzidas por especialistas, consultas populares e ratificação pelo Parlamento, chegou-se à conclusão de que os impactos causados pelas redes sociais na formação de crianças e adolescentes eram suficientemente danosos para justificar uma decisão radical sobre o tema.
Além da influência na formação da personalidade, somam-se questões que envolvem a exposição excessiva e desnecessária, o tempo exagerado diante de telas consumindo informações em sua maioria fúteis, além do risco latente de assédio moral, sexual, étnico e misógino.
Agora, o Reino Unido junta-se a outras 25 nações nesse bloco que propõe uma reação, por alguns considerada até tardia, ao imperialismo comunicativo das principais big techs do setor.
O assunto é polêmico. De um lado, questiona-se a chamada “liberdade de expressão”, condição na qual todos os cidadãos podem se manifestar e qualquer tipo de controle sugeriria censura. Por outro, sabemos que o ambiente digital pode representar o cenário perfeito para aproveitadores que não têm o menor pudor em criar o caos social, desferindo ataques em qualquer direção, incluindo o público jovem, naturalmente mais suscetível às fragilidades que a falta de maturidade impõe.
Mas o que chama mais a atenção é que tanto no caso da Austrália quanto no do Reino Unido foram realizadas consultas populares, e a maioria absoluta da população se posicionou favorável à proibição. Isso, no mínimo, nos faz refletir sobre como as sociedades, em detrimento dos interesses corporativos dessas grandes empresas de tecnologia e dos governos que as apoiam, reagiram ao perceber como as redes sociais estão prejudicando a formação de gerações de jovens mundo afora.
Sem dúvida, um grito de socorro!
E nós, como nação brasileira, o que pensamos sobre o assunto?
Quer deixar a sua opinião? Responda voluntariamente ao questionário disponível no formulário (https://forms.gle/33DyZNuUso7e5FoP6). Não há necessidade de identificação pessoal e as respostas nos ajudarão a mapear como o Brasil enxerga esse cenário.
A análise dos dados será apresentada no próximo artigo.


