Flávio envia carta a Rubio para tentar barrar tarifaço contra o Brasil

O pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, encaminhou nesta terça-feira (2) uma carta ao Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, solicitando que o governo americano não aplique as novas tarifas de importação contra produtos brasileiros.

O movimento ocorre em resposta a um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que recomendou a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre as exportações do Brasil.

Segundo o presidenciável, o tarifaço puniria o cidadão comum, que vê nos EUA um parceiro estratégico. “Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo”, disse o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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No ofício, Flávio descreve um cenário de “grave deterioração fiscal e econômica” no país para justificar o pedido de isenção, citando que:

  • A dívida pública bruta brasileira ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, atingindo R$ 10,4 trilhões;
  • Um recorde de 81,7 milhões de brasileiros (quase metade da população adulta) está em situação de inadimplência;
  • Em 2025, o número de empresas em recuperação judicial bateu o recorde histórico de 2.466.

Flávio usou o documento para reforçar que teria solicitado ao governo Trump que não determinasse um novo tarifaço contra o Brasil. “Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente ao senhor: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, reiterou.

Flávio diz estar confiante que será eleito e promete cooperar com os EUA “imediatamente”

Flávio disse a Rubio que, caso seja eleito, sua equipe de transição será colocada “imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio”.

“Como eu disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro deste ano. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem”, garantiu o senador.

No mesmo documento, Flávio agradeceu a Rubio pela designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

“A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou esta medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado”, apontou.

Novo tarifaço dos EUA contra o Brasil

A recomendação do USTR surge após uma investigação aberta em julho de 2025 sobre práticas comerciais que os EUA consideram injustas.

Entre as justificativas para o tarifaço estão ordens da Justiça brasileira contra redes sociais americanas, o favorecimento do sistema Pix em detrimento de empresas de pagamento dos EUA, a falta de combate à pirataria (citando especificamente a Rua 25 de Março em São Paulo) e restrições ao mercado de etanol.

Embora o relatório preveja exceções para itens como carne bovina e café, o prazo legal para a tomada de medidas corretivas é 15 de julho de 2026.

Veja a íntegra da carta de Flávio a Rubio sobre o tarifaço

“Prezado Secretário Rubio,

Escrevo primeiramente para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reafirmou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações repousa sobre valores compartilhados e uma visão comum para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre as empresas criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro alcançam muito além de nossas fronteiras — chegando ao seu país também.

A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou esta medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos.

Embora eu entenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta ainda — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que levam a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas que o povo brasileiro enfrenta neste momento.

O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida pública bruta geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, atingindo R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado a situam em um recorde de 83,7% até o fim do ano.

As contas públicas continuam a apresentar déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida subiram para níveis recordes. O fardo sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão agora inadimplentes — quase metade da população adulta — com compromissos de dívida consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar.

Do lado empresarial, as recuperações judiciais dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números é um recorde histórico.

Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente ao senhor: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como eu disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro deste ano. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem.

Permaneço à sua inteira disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe a América e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil”

Fonte: Gazeta do Povo

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