Os dois se reuniram nesta segunda-feira (1º), no Palácio da Alvorada, para discutir os desdobramentos da medida. Segundo Durigan, a principal preocupação do governo é evitar que protocolos adotados por autoridades estrangeiras afetem a soberania econômica do Brasil e a estabilidade de suas instituições.
O ministro afirmou que o governo teme que interpretações excessivamente amplas por parte da administração do presidente Donald Trump possam gerar prejuízos injustificados à economia brasileira.
“Vamos continuar combatendo as organizações criminosas, mas precisamos evitar que haja prejuízos irreais ou fantasiosos para a nossa economia. Isso seria uma grande injustiça”, declarou Durigan após o encontro.
Segundo o ministro, o foco da estratégia brasileira é impedir que empresas e bancos do país sejam alvo de sanções ou restrições baseadas em critérios que não reflitam a realidade do sistema financeiro nacional.
Durigan também reiterou o interesse em dialogar com autoridades norte-americanas sobre o tema. Apesar disso, afirmou que ainda não há reuniões agendadas com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
“Estamos reunindo informações, avaliando os cenários e definindo os próximos passos. Quando tivermos um diagnóstico completo, levarei nossa posição ao secretário Scott Bessent”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o governo acompanha de perto os desdobramentos da decisão para proteger empresas, empregos e instituições financeiras brasileiras de possíveis interferências externas.
“O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado será bem-vindo. O que não pode acontecer é qualquer medida que prejudique o desenvolvimento do país”, disse.
Para mapear possíveis riscos, o Ministério da Fazenda tem mantido diálogo com representantes de diversos setores da economia, incluindo empresários e integrantes do sistema financeiro.
Durante a reunião, Durigan também apresentou ao presidente a agenda internacional de investimentos do governo. No fim do mês, o ministro viajará para China e Japão para divulgar o programa Eco Invest Brasil, que busca atrair recursos estrangeiros para projetos sustentáveis no país.
Além disso, o encontro abordou os dados mais recentes da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre, enquanto a formação bruta de capital fixo, principal indicador de investimentos, avançou 3,5%.