O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta sexta-feira (22) a criação do Fundo Anti-Instrumentalização, anunciada pelo Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) no início da semana.
Essa iniciativa, que será custeada com quase US$ 1,8 bilhão de dinheiro público, terá os objetivos de ouvir reivindicações e oferecer reparações financeiras a cidadãos que foram vítimas de instrumentalização dos seus dados pessoais e de lawfare (guerra jurídica) praticadas pelo governo americano.
“Abri mão de muito dinheiro para permitir que o recém-anunciado Fundo Anti-Instrumentalização fosse criado. Eu poderia ter chegado a um acordo no meu caso, incluindo a divulgação ilegal da minha declaração de imposto de renda e a invasão igualmente ilegal de Mar-a-Lago, por uma fortuna”, escreveu Trump na rede Truth Social.
“Em vez disso, estou ajudando outras pessoas, que foram tão brutalmente agredidas por uma administração [Joe] Biden maligna, corrupta e instrumentalizada, a finalmente receberem JUSTIÇA!”, acrescentou, citando o ex-presidente democrata (2021-2025).
Em comunicado, o DOJ disse que a criação do fundo faz parte de um acordo que Trump, seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump e a Organização Trump fizeram para encerrar processos contra o Departamento do Tesouro e a Receita Federal (IRS) no Tribunal Federal do Distrito Sul da Flórida após o vazamento das suas declarações de imposto de renda.
O DOJ acrescentou que os citados também concordaram em retirar duas reivindicações administrativas que haviam apresentado contra o governo federal, incluindo “uma por danos resultantes da invasão ilegal de Mar-a-Lago e da farsa da conspiração russa” – citando as investigações que visaram Trump por ele ter supostamente levado documentos confidenciais para sua residência na Flórida após o fim do seu primeiro mandato (2017-2021) e por suspeitas de ligação da sua primeira campanha presidencial com a Rússia.
Por esse acordo, Trump, seus dois filhos mencionados e a Organização Trump “receberão um pedido formal de desculpas, mas nenhum pagamento monetário ou indenização de qualquer tipo”, afirmou o DOJ.
A oposição democrata alega que a criação do fundo seria uma manobra para beneficiar financeiramente aliados de Trump.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, admitiu durante audiência no Congresso na terça-feira (19) que tal fundo poderá ser usado para indenizar condenados pela invasão ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021.
Dois policiais que foram agredidos durante a invasão, promovida por apoiadores de Trump, ingressaram com uma ação judicial na quarta-feira (20) contra o fundo, alegando que ele será usado para “financiar os insurgentes e grupos paramilitares que cometem violência em nome” do presidente americano.