O ministro da Economia do Japão, Ryosei Akazawa, declarou nesta segunda-feira (18) que seu país enxerga o Brasil como uma possível fonte de petróleo em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz provocado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã.
Em declarações divulgadas pela emissora de televisão pública NHK, o homem responsável por lidar com a falta de abastamento do arquipélago disse que a mudança de rota nos fornecedores se tornou uma “questão urgente”.
“Reduzir nossa dependência do petróleo bruto de regiões específicas é uma questão urgente. O Japão está prestando muita atenção ao potencial do Brasil como país produtor de petróleo”, disse o ministro japonês no início de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que está em visita oficial ao país.
O chanceler brasileiro, por sua vez, fez um apelo para impulsionar o comércio entre os dois países.
O Japão importa cerca de 90% de seu petróleo do Oriente Médio, e o fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra forçou o país a liberar milhões de barris de suas reservas estratégicas e a subsidiar as companhias petrolíferas para reduzir os preços dos combustíveis, entre outras medidas.
O arquipélago também impulsionou suas importações de fontes alternativas que não cruzam a rota estratégica, como os EUA, enquanto as autoridades afirmaram que têm o abastecimento garantido até o ano que vem graças a este tipo de acordo.
O Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e, em março, voltou a bater um recorde de produção de hidrocarbonetos, com uma média de 5,5 milhões de barris de petróleo e gás natural equivalente por dia. No ano passado, bateu seu recorde nacional de produção de hidrocarbonetos ao extrair uma média de 4,89 milhões de barris diários equivalentes de petróleo e gás natural.
Além da questão energética, o Itamaraty informou que os líderes discutiram parcerias em outras áreas com “grande potencial de crescimento dos investimentos recíprocos e do intercâmbio comercial bilateral”, entre elas as de minerais críticos, semicondutores, aviação comercial e defesa.