Naquele ano, foi noticiado que o buscador contratou os cofundadores da Character.AI, uma startup de IA cujos chatbots personalizados são populares entre os jovens. O americano Noam Shazeer e o brasileiro Daniel De Freitas, dois pesquisadores de IA, deixaram o Google em 2022 para fundar a Character.AI. A dupla retornou ao Google junto com alguns de seus funcionários. Além dos funcionários, o buscador pagou à startup para acessar sua tecnologia de IA.
A Superintendência-Geral do Cade entendeu que o contrato celebrado entre Google e Character.AI configura ato de concentração e determinou o envio do processo ao tribunal administrativo do Cade para manifestação acerca da notificação.
O que disseram as empresas
As empresas alegaram que a Character.AI não atinge os critérios de faturamento mínimo para notificação obrigatória no Brasil. Além disso, defenderam que o contrato não constitui um ato de concentração porque não houve fusão entre o Google e a Character.AI (ambas continuam a ser empresas totalmente independentes) e a Character.AI continua a ser uma empresa independente “sem qualquer controle ou influência do Google”.
Disseram ainda que o buscador não tem qualquer participação societária, direito a assento no conselho de administração ou direito de observador no conselho de administração da Character.AI, direito contratual a informações da Character.AI, investimento financeiro na empresa ou qualquer capacidade, como resultado do acordo celebrado, de influenciar a estratégia e a tomada de decisões da Character.AI. Também sustentaram que não há aquisição de partes de uma empresa por compra ou permuta de ações, quotas, títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações, ou ativos, tangíveis ou intangíveis.
“O Google obteve apenas uma licença não exclusiva para utilizar propriedade intelectual e tecnologia que continuarão a ser detidas, controladas, desenvolvidas e exploradas comercialmente pela Character.AI (incluindo a possibilidade de conceder licenças a terceiros)”, afirmou a gigante de tecnologia.