A eleição presidencial no Peru terá no seu segundo turno, marcado para 7 de junho, a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.
Eles foram os mais votados no primeiro turno, realizado em 12 e 13 de abril, mas os resultados oficiais foram anunciados apenas agora, devido a problemas que resultaram na renúncia e prisão de membros do órgão eleitoral do país, na recontagem de atas eleitorais e em uma ordem da Justiça eleitoral para que fossem auditados os sistemas digitais usados na eleição.
Fujimori e Sánchez participarão da votação complementar para definir o sucessor do presidente interino esquerdista José María Balcázar.
Keiko Fujimori tem 50 anos e concorre à presidência pela quarta vez, após perder no segundo turno as eleições de 2011, 2016 e 2021.
Filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), ela estudou administração de empresas na Universidade de Boston e obteve um MBA pela Universidade de Columbia.
Voltou ao Peru em 2005 e, no ano seguinte, foi eleita para o Congresso com número recorde de votos nas eleições para o Parlamento peruano.
Assim como o pai, que foi condenado por corrupção e violação de direitos humanos (morreu em setembro de 2024), Keiko teve problemas com a Justiça: devido a acusações de lavagem de dinheiro em suas campanhas eleitorais, ela passou quase um ano e meio em prisão preventiva, entre 2018 e o início de 2020. Posteriormente, o caso foi arquivado pela Justiça peruana.
Durante sua campanha, ela prometeu uma plataforma de linha dura contra o crime e de expulsão de imigrantes ilegais. “É meu compromisso restaurar a ordem no Peru”, disse Keiko, em entrevista à agência France-Presse (AFP).
Sánchez foi ministro de ex-presidente do Peru condenado por tentativa de golpe de Estado
Roberto Sánchez Palomino, de 57 anos, se formou em psicologia na Universidade Nacional de San Marcos e desde 2021 é deputado nacional.
Presidente do partido de esquerda Juntos pelo Peru, Sánchez foi ministro do Comércio Exterior e Turismo entre 2021 e 2022, durante o breve mandato do ex-presidente Pedro Castillo, destituído pelo Parlamento, preso e condenado pela Justiça a 11 anos, cinco meses e 15 dias de prisão por ter tentado um golpe de Estado.
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A vida política de Sánchez é marcada por escândalos. Ele foi acusado de ter participado de um esquema para fazer pagamentos à esposa de um ex-conselheiro presidencial de Pedro Castillo para impedir que o ex-assessor delatasse atos de corrupção do então presidente.
Sánchez também foi acusado de ter intermediado o asilo político da ex-primeira-ministra Betssy Chávez, que está refugiada desde o ano passado na Embaixada do México em Lima, para evitar a prisão por acusações de envolvimento na tentativa de golpe de Castillo – o candidato presidencial também é acusado de participação na manobra fracassada.
O programa de TV Panorama também denunciou que Sánchez teria usado fundos do Ministério do Comércio Exterior e Turismo para pagar por frutos do mar e outros pratos caríssimos para ele e pessoas próximas. Dinheiro da pasta também teria sido usado para lavar roupas do então ministro e de seus assessores.
Na reta final da apuração, o Ministério Público do Peru solicitou uma pena de prisão de cinco anos e quatro meses para Sánchez, alegando que ele teria prestado informações falsas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, na sigla em espanhol) sobre doações de campanha entre 2018 e 2020. Ele nega as acusações.
Apesar de ter tentado se distanciar da tentativa de golpe de Castillo, afirmando que “soube pela televisão” sobre o anúncio para dissolver o Parlamento peruano em dezembro de 2022 (medida que foi respondida com destituição e prisão do então presidente no mesmo dia), Sánchez segue muito próximo do ex-mandatário.
No primeiro dia da eleição, ele esteve na prisão de Barbadillo para levar café da manhã a Castillo, a quem prometeu libertar e retomar seu plano de governo caso vença a disputa presidencial.
